Na noite da última quarta-feira, 17 de junho, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) para o septênio 2026-2032. O anúncio ocorreu em Brasília (DF) durante a reunião do Conselho Permanente e marca a publicação do Documento 114 da CNBB, que servirá de bússola pastoral para os próximos seis anos.
O documento é o resultado de um amplo processo de escuta, diálogo e discernimento eclesial que durou mais de três anos. O presidente da CNBB, Cardeal Jaime Spengler, destacou na abertura do evento que as diretrizes expressam a colegialidade e a comunhão do episcopado.
“Estas Diretrizes orientam a presença da Igreja em nosso mundo, marcado por grandes possibilidades, mas também por desigualdades, injustiças e desafios que clamam por esperança, fé, cuidado e atenção à vida”, afirmou Dom Jaime.

Caminhada sinodal: conversão e missão
De acordo com o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da comissão de elaboração, Dom Leomar Antônio Brustolin, o texto amadureceu em total sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade. Passando por mais de vinte versões e recebendo centenas de contribuições durante a 62ª Assembleia Geral dos Bispos, em Aparecida (SP), o documento se apoia em duas palavras-chave: conversão e missão.
Para o arcebispo, o foco vai além de uma reforma estrutural: “Não basta apenas organizar melhor a pastoral. Somos chamados a viver relações mais fraternas, processos mais participativos e uma autêntica conversão missionária”.
Os Cinco Grandes Caminhos da Ação Evangelizadora
As novas diretrizes estão estruturadas em cinco eixos fundamentais que devem iluminar o planejamento de dioceses, paróquias e comunidades:
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Animação Bíblica da Vida e da Pastoral: Reafirma a centralidade e o primado da Palavra de Deus em todas as ações da Igreja.
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Iniciação à Vida Cristã: Entendida como um itinerário pedagógico de encontro pessoal com Jesus Cristo para a formação de discípulos missionários.
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Comunidade de Discípulos Missionários: Busca o fortalecimento da vida comunitária paroquial e a corresponsabilidade na missão.
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Liturgia e Piedade Popular: Reconhecidas como fontes primordiais e expressões vivas da fé cristã do povo de Deus.
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Serviço à Vida Plena: Eixo que reúne três compromissos sociais inseparáveis do Evangelho: a opção preferencial pelos pobres, o cuidado com a Casa Comum (ecologia integral) e a defesa da dignidade humana desde a concepção até o seu fim natural.
A imagem bíblica da “Tenda”
A fundamentação teológica das diretrizes foi apresentada pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa. Ele pontuou que o documento adota a imagem bíblica da “tenda” (inspirada em Isaías 54,2) como metáfora da Igreja.
“A Igreja é tenda do encontro, aberta a todos. É lugar de acolhida, proteção e esperança para aqueles que buscam abrigo em meio às tempestades da vida”, explicou Dom Paulo, lembrando também o livro dos Atos dos Apóstolos como inspiração para comunidades nutridas pela Eucaristia, oração e caridade.
Disponibilidade
O Documento 114 já se encontra impresso e disponível no portal oficial das Edições CNBB. Segundo o diretor-geral da editora, Monsenhor Jamil Alves de Souza, a obra constitui um instrumento prático indispensável para subsidiar os conselhos de pastoral, movimentos e organismos eclesiais em todo o território nacional.
Nossa Diocese acolhe com alegria a promulgação destas novas diretrizes, que certamente iluminarão a revisão e a atualização dos nossos projetos pastorais e assembleias diocesanas nos próximos meses.
Com informações do Portal da CNBB.