Em um desfecho doloroso para a unidade da Igreja Católica, o Vaticano confirmou que os bispos envolvidos nas ordenações episcopais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) incorreram ipso facto (no ato) na pena de excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.
A medida foi oficializada por meio de um decreto assinado pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e referendado pelos secretários do órgão. A decisão foi publicada apenas vinte e quatro horas após a cerimônia celebrada em Écône, na Suíça, na manhã do último dia 1º de julho de 2026, quando o grupo tradicionalista ignorou os reiterados apelos de comunhão feitos pelo Papa Leão XIV.
A sanção atinge diretamente os bispos consagrantes, Dom Alfonso de Galarreta e Dom Bernard Fellay, bem como os quatro sacerdotes recém-ordenados bispos: Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. O Dicastério classificou a ordenação sem mandato pontifício e contra a expressa vontade do Papa como “um ato de natureza cismática”.
A Nota Explicativa da Santa Sé
Junto ao decreto de excomunhão, o antigo Santo Ofício emitiu uma Nota Explicativa detalhando a gravidade da situação e os impactos diretos na vida litúrgica e pastoral da Igreja. O texto recorda que as tentativas de reconciliação iniciadas desde o pontificado de São Paulo VI mostraram-se infrutíferas e que a atitude da Fraternidade configura uma rejeição prática ao Primado Romano.
A partir do novo decreto e em conformidade com o Direito Canônico (cânon 1364 § 1), a Santa Sé estabelece três diretrizes fundamentais:
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Sacerdotes e Ministros: Todos os ministros sagrados pertencentes à Fraternidade São Pio X encontram-se formalmente em situação de cisma e devem ser considerados cismáticos.
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Fiéis Leigos: Devem ser considerados sob a pena de excomunhão por cisma todos os fiéis leigos que aderem de maneira formal à Fraternidade.
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Ilicitude e Invalidade dos Sacramentos: O povo de Deus é advertido de que os sacerdotes da Fraternidade administram os sacramentos de forma ilícita. Além disso, devido à falta de jurisdição regular na estrutura da Igreja, o Sacramento da Confissão (Penitência) e o Sacramento do Matrimônio celebrados por eles são juridicamente inválidos.
Exortação e Apelo à Comunhão
O Dicastério para a Doutrina da Fé exorta todos os católicos a permanecerem firmes e convictos na plena comunhão com o Romano Pontífice e com os bispos do mundo inteiro, abstendo-se rigidamente de participar de quaisquer celebrações, missas ou atividades promovidas pela referida Fraternidade.
Mesmo diante da gravidade teológica e canônica do fato, o documento vaticano conclui lembrando o caráter materno da Igreja, afirmando que ela está de braços abertos e com sincero afeto para acolher todos os ministros e fiéis que manifestarem o desejo de retornar à plena comunhão católica. Para esses casos, os núncios apostólicos receberam orientações para repassar os procedimentos de acolhida e regularização canônica aos bispos diocesanos nas diversas partes do mundo.
Com informações do portal Vatican News.