Novos bispos do Regional Centro-Oeste destacam preocupação do Papa Francisco com os desafios da Igreja no mundo

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Quatro bispos do Regional Centro-Oeste da CNBB, ordenados entre os anos de 2020 e 2021, participaram do Curso Anual de Formação para Novos Bispos, que aconteceu nos dias 1º a 8 de setembro, no Vaticano. Realizado pelo Dicastério para os Bispos, o evento reuniu 155 bispos, dos quais 11 brasileiros. Do nosso regional participaram Dom Giovani Carlos, bispo diocesano de Uruaçu (GO); Dom Dilmo Franco, bispo auxiliar de Anápolis (GO); Dom Jeová Elias, bispo diocesano de Goiás (GO); e Dom Lindomar Rocha, bispo diocesano de São Luís de Montes Belos (GO).

Em entrevista a Assessoria de Imprensa do Regional, três deles falaram sobre a experiência de participar do encontro. “Foi um encontro alegre, fraterno, principalmente porque estávamos ali mais de 150 bispos, nós latinos éramos cerca de 100 com dois anos ou mais de ordenados e depois havia 50 bispos católicos, porém, de rito oriental”, disse Dom Lindomar Rocha Mota, bispo diocesano de São Luís de Montes Belos (GO).

Dom Dilmo Franco, bispo auxiliar da Diocese de Anápolis (GO) comentou que o tema da sinodalidade foi bastante explorado no encontro. “Em todas as colocações se passava transversalmente o tema da sinodalidade no processo de evangelização e sempre reforçando que não é um sínodo que tem começo e fim, mas que a sinodalidade é o ser da própria Igreja, uma Igreja que é comunhão, que caminha junto sempre reforçando isso”. Outro ponto de destaque no encontro, conforme o bispo auxiliar da Diocese de Anápolis, foi importância da proximidade da Igreja neste tempo de pandemia. “O encontro reforçou essa questão de estarmos próximos, de sermos presença, de buscarmos de fato mostrar a Igreja como aquela mãe que acolhe a todos e se preocupa também com todos”.

Desafios da Igreja

Dom Dilmo disse que durante os dias de curso ficou evidente que os desafios da Igreja são bem parecidos em todo o mundo. “É interessante a gente notar que os problemas da Igreja no Brasil num sentido amplo, são os problemas da Igreja do mundo, ou seja, só muda o endereço: as dúvidas, as dificuldades, os desafios é o desafio do mundo, o desafio da pessoa humana onde ela está. Não há soluções mágicas, não há uma fórmula para se aplicar e dizer que resolve, de fato é a Igreja que caminha junto, aí está a sinodalidade: pastores e ovelhas todos os batizados, juntos encontrar o caminho ao qual a realidade hoje nos pede mudança e por isso aquela importância tão grande de escutar o espírito, a sinodalidade é um tempo de oração. A Igreja sempre está em oração para escutar o espírito para que possamos discernir o que ele pede a nós diante do momento presente, diante da realidade humana a qual estamos passando”.

Audiência com o papa Francisco

Dom Jeová Elias, bispo diocesano de Goiás (GO) destacou a audiência com o papa Francisco. “Ele começou a sua fala convidando os bispos a terem quatro proximidades ou, como ele dizia, vizinhanças. A primeira proximidade do bispo deve ser Deus, viver a comunhão com Deus. Sem essa comunhão fica muito difícil o seu ministério; a segunda proximidade é com os próprios irmãos no ministério episcopal, viver a fraternidade episcopal, viver a comunhão com os outros bispos, se apoiarem, serem fraternos, construírem vínculos de amizade mesmo na diversidade, nas diferenças que eles possuem; a terceira proximidade deve ser com os seus padres, o bispo deve animar o seu clero, animar os seus padres, estar presente na vida deles, não deixá-los sozinhos; a quarta proximidade é com todo o povo de Deus, o bispo como pastor deve estar presente na vida do seu povo, nos momentos, sobretudo, de sofrimento, de dificuldade, ajudando a renovar a esperança do seu povo”.

Após a fala do papa foi aberto para perguntas e Dom Jeová foi um dos bispos que participou deste momento. Ele também aproveitou para entregar um presente ao papa. “Eu levei uma tese que eu fiz nos meus estudos em Bogotá (Colômbia) exatamente sobre a Mensagem do papa Francisco nas viagens que ele fez aos países da América Latina e do Caribe em defesa da dignidade da vida humana. Entreguei a tese em mãos como um presente refletindo sobre essa mensagem dirigida pelo papa em suas viagens. Ao final da audiência, cada um teve a oportunidade de cumprimentá-lo, posar para a foto oficial, pegar na mão do papa, dizer uma palavra de modo breve, ele ficou mais de duas horas nessa audiência conosco”.

Dom Lindomar enfatizou a preocupação do papa em querer saber dos bispos sobre a situação particular de cada um, de cada bispo e de cada diocese. Dom Dilmo, por sua vez, disse ter ficado muito marcado, no encontro com o papa, a sua preocupação com a Igreja nos diversos países, sobretudo aqueles que estão em guerra. “Tínhamos no encontro, bispos da Ucrânia, da Venezuela, do Chile que passam por dificuldades em seus países e o papa sempre manifestando a proximidade com os países em guerra, com a situação da Nicarágua ele está muito próximo, às vezes a gente vê as pessoas criticando, mas temos que nos lembrar que o silêncio dele diante do mundo, da imprensa, não é o silêncio nas ações, ele está próximo porque se às vezes fizer alguma coisa a mais pode ter uma represália para os cristãos que estão ali. Então é todo um cuidado para não piorar a situação daqueles que estão lá aprisionados. O papa está muito próximo da Ucrânia, da Nicarágua, desses países que estão em dificuldade e pede para nós sermos promotores da paz no sentido de lutarmos para que todas as pessoas tenham o direito e a liberdade preservados”.

Os momentos celebrativos também foram muito importantes. Os bispos participaram de várias celebrações. “No dia 3 nós fomos todos celebrar em Santa Maria Maior. No domingo, dia 4, participamos da beatificação de João Paulo I, praticamente 90% dos bispos que ali estavam foram celebrar com o papa, e para concluir tudo, aconteceu a visita ao Santo Padre, chegamos mais cedo, celebramos na Basílica de São Pedro a missa presidida pelo cardeal Marc Ouellet, o prefeito do Dicastério para os Bispos”, afirmou Dom Lindomar.

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