Conheça a sua Igreja

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O que é a Igreja

A Igreja é parte do projeto de Deus, concebido, por amor, na eternidade. Ela foi prefigurada e preparada desde a origem pelas várias alianças de Deus com o Povo de Israel. A fundação aconteceu progressivamente, como uma gestação. A história da Igreja se refere a atos fundantes.

Foram atos fundantes, por exemplo, a escolha dos Apóstolos e a instituição da Eucaristia. O Povo de Israel era formado de doze tribos. Jesus, ao escolher doze Apóstolos, mostrou Sua intenção de fundar a Igreja – o Novo Israel que fora anunciado pelos profetas. Na instituição da Eucaristia o cordeiro pascal foi substituído pelo Corpo de Jesus. O cálice da Antiga Aliança foi substituído pelo cálice da Nova Aliança no sangue de Jesus.

Assim como Israel se tornou Povo de Deus através da Antiga Aliança, celebrada no Monte Sinai, Jesus, ao instituir a Nova Aliança, estava fundando a Igreja – o Novo Israel. Mas, sobretudo, atos fundantes da Igreja foram: a experiência pascal – paixão, morte e ressurreição de Jesus – e o acontecimento de Pentecostes, quando a Igreja se manifestou às Nações pela efusão do Espírito Santo. Naquela manhã a Igreja recebeu a sua configuração definitiva, assumindo a missão de evangelizar todos os povos.

A Igreja é a comunidade onde o Ressuscitado está presente: “Eis que eu estou com vocês todos os dias até a consumação dos séculos”.

Essa rica história mostra que a iniciativa de formar a Igreja não vem de seres humanos. Vem de Deus. A Igreja é dom de Deus à humanidade. Quando a Palavra de Jesus é anunciada na assembleia, é Ele mesmo que nos fala. Os Sacramentos que a Igreja celebra comunicam a força espiritual que provém do seu Mistério pascal. A Eucaristia forma o corpo da Igreja. Quem se alimenta do corpo de Cristo torna-se Um com Ele. Por isso, a Igreja é, a um tempo, divina e humana.

A missão da Igreja

Evangelizar constitui a missão, a vocação da Igreja e a sua própria identidade. Ela existe para anunciar e ensinar, para ser a testemunha da Graça, reconciliar a humanidade com o Pai Misericordioso e perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, memorial de Sua Morte e gloriosa Ressurreição. A origem da missão encontra-se na Santíssima Trindade, na missão do Filho e do Espírito Santo, enviados pelo Pai ao Mundo.

A atividade missionária da Igreja iniciou-se na madrugada do domingo de páscoa, quando Maria Madalena foi ao túmulo e o encontrou vazio. Logo ouve a alegre notícia: “Ele não está aqui. Ressuscitou. Vá anunciar a Pedro e aos seus irmãos”, e ela correu ao encontro dos discípulos. Em Pentecostes, começou a missão de anunciar o Reino de Deus a todos os povos da terra – missão que permanece até hoje. Após vinte séculos, existem povos que não ouviram o anúncio de Jesus Cristo. Mesmo em nossas cidades existem pessoas, ambientes e culturas que não conhecem a Boa Nova.

Através da ação da Igreja, a Palavra de Deus cresce e se multiplica no mundo. O Livro dos Atos dos Apóstolos, que faz parte do Novo Testamento, narra a história das primeiras comunidades e a ação dos Apóstolos, principalmente de Pedro e Paulo. Nele se lê que a Palavra crescia e se multiplicava. Desejava, assim, anotar que cresciam e se multiplicavam os que ouviam a Palavra, acolhiam-na e se tornavam missionários.

A missão tem sua fonte no encontro com o Cristo vivo, uma experiência pessoal. Foi o que aconteceu com a samaritana e com os discípulos. A experiência do encontro com Cristo muda radicalmente a vida. Não pode ser guardada. Deve ser comunicada, compartilhada.

Na Eucaristia nós nos encontramos com Cristo, de modo muito especial. Se a missão não for alimentada pela Eucaristia, perde a identidade. Torna-se proselitismo, propaganda, coisa de mercado. A Eucaristia é também o objetivo profundo da missão: fazer com que todos se tornem discípulos de Jesus, realizando o encontro pessoal com Ele.

A missão é resposta a uma busca. Existe nos nossos corações um anseio misterioso de ver Jesus, de encontrar alguém que seja Caminho, Verdade e Vida.

A missão é, para a Igreja, a causa das causas. O primeiro e mais importante serviço que presta ao ser humano. Nenhum membro da Igreja está dispensado da missão. Os pais, as famílias, os jovens, professores e operários – todos são missionários. Sobretudo as dioceses e as paróquias devem desenvolver uma ação planejada e preparar seus missionários com cuidado. Para atingir a todos, nós precisamos ser não só comunidades de acolhida, mas também comunidades de envio e do compromisso com a defesa da dignidade humana e preservação da vida.

A Igreja tem uma mãe

Igreja não é a comunidade dos que creem. Comunidade é uma realidade nova, maior do que a soma de indivíduos. É a fé da Igreja que torna possível o ato de crer de cada membro da Igreja.

A Igreja tem também uma Mãe: Maria, mãe do Filho de Deus encarnado, o Filho amado de Deus. Ao tornar-se mãe de Cristo, ela tornou-se mãe de todos os membros do seu corpo, que é a Igreja. O discípulo que estava ao pé da Cruz e recebeu Maria como mãe representava todos os discípulos de Cristo.

Maria de Nazaré foi a mulher escolhida para ser mãe do Filho de Deus. Sem colaboração humana ela concebeu o Filho de Deus, Jesus Cristo, por obra e graça do Espírito Santo. Por isso podemos chamá-la de Mãe de Deus. Ela foi escolhida gratuitamente para esta missão e Deus, em previsão dos méritos de Jesus Cristo, preservou-a do pecado desde sua concepção. Por isso, seu título de Imaculada. Ela é cheia de Graça, pois toda a sua vida correspondeu ao desígnio de Deus.

Maria é chamada Virgem – a Sempre Virgem Maria. Significa que Jesus foi concebido em seu seio apenas pelo poder do Espírito Santo. Jesus é filho somente do Pai Eterno, segundo a natureza divina e filho do Pai Eterno e de Maria, segundo a natureza humana. Maria permaneceu virgem antes, durante e após o parto. Sua virgindade permanente é o sinal do poder de Deus, que faz brotar a vida onde não há possibilidade de vida.

Também cremos que terminados os seus dias terrenos, Maria foi elevada aos céus de corpo e alma – ela já participa da plenitude da salvação, da qual participaremos no final dos tempos. Maria é a figura maternal da Igreja, discípula fiel e modelo de fé e amor para nós. Por isso a veneramos com especial carinho filial.

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