{"id":19004,"date":"2026-04-10T11:13:59","date_gmt":"2026-04-10T14:13:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=19004"},"modified":"2026-04-10T11:13:59","modified_gmt":"2026-04-10T14:13:59","slug":"jesus-a-presenca-que-basta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2026\/04\/10\/jesus-a-presenca-que-basta\/","title":{"rendered":"Jesus, a presen\u00e7a que basta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda havia l\u00e1grimas sobre a terra quando a manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a raiar. O c\u00e9u, descorado e silencioso, suspenso entre a dor da noite passada e o primeiro latejo de uma esperan\u00e7a desconhecida. Tudo guardava a mem\u00f3ria do sofrimento. Mas uma vida nova, invis\u00edvel e vitoriosa, j\u00e1 come\u00e7ava a fruir como um rio que corre sob as encostas das desesperan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Madalena foi a primeira a caminhar junto ao sepulcro com um cora\u00e7\u00e3o transbordante de sombra e saudade. Amava, e por isso sofria; sofria, e por isso buscava. Queria ao menos encontrar o corpo daquele que foi a claridade de sua vida. Esperava a \u00faltima fidelidade da tristeza, pois quando o amor \u00e9 grande, o luto \u00e9 descomunal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o jardim, entregue ao pranto, guardava em si uma surpresa melhor que a aurora. O Ressuscitado j\u00e1 estava ali. Veio como quem conhece o cora\u00e7\u00e3o humano e sabe que a alma, depois de ferida, s\u00f3 pode ser tocada pela delicadeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria n\u00e3o o reconheceu de imediato. Os olhos, tantas vezes, s\u00e3o os \u00faltimos a crer naquilo que o cora\u00e7\u00e3o deseja. Ent\u00e3o Ele pronunciou o seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria, que andava dispersa pelos abismos da perda, foi chamada de volta, pois quando Deus chama uma criatura pelo nome, o que se ouve n\u00e3o \u00e9 apenas um chamado. Ouve-se o destino, uma ternura, uma posse de amor. Maria reconheceu-o n\u00e3o pela forma do rosto, mas pela for\u00e7a da presen\u00e7a. Era Ele. O mesmo. Vivo. Vencedor. Mais \u00edntimo agora que antes, porque passara atrav\u00e9s da morte e a vencera.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde aquele instante, o mundo nunca mais foi o mesmo. A Ressurrei\u00e7\u00e3o trouxe uma nova sensibilidade para a alma humana. O Ressuscitado come\u00e7ou a coabitar na transpar\u00eancia dos gestos, na chama das mem\u00f3rias santas, no tremor dos cora\u00e7\u00f5es visitados.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim aconteceu tamb\u00e9m \u00e0queles dois caminhantes perdidos na estrada de Ema\u00fas. Iam curvados sob o peso da desilus\u00e3o, como \u00e1rvores vergadas por uma tempestade. Falavam do Mestre como se falassem de um sol apagado, de uma promessa sepultada, de uma beleza que o mundo assassinou. O caminho parecia longo, porque a tristeza alonga as dist\u00e2ncias. E, contudo, Ele j\u00e1 caminhava ao lado deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sublime ternura Ele escuta a amargura dos disc\u00edpulos, recolhe os peda\u00e7os da esperan\u00e7a destru\u00edda e entra no interior das suas fraquezas. Cristo glorioso n\u00e3o se ornamenta com majestades para humilhar os vencidos, mas se faz companheiro de estrada. Quanta nobreza neste Ressuscitado, que deixou-se reconhecer no partir do p\u00e3o. Ent\u00e3o os seus olhos se abriram enfim. E eles puderam dizer: \u00e9 o Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus cora\u00e7\u00f5es ardiam; sim, ardiam, porque a presen\u00e7a de Cristo, mesmo quando n\u00e3o reconhecida j\u00e1 incendeia tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ressuscitado, agora, n\u00e3o precisa escrever outra lei sobre pedra ou ditar um novo c\u00f3digo para o mundo. Sua presen\u00e7a basta. Sua vit\u00f3ria basta. \u201cSou Eu\u201d basta. Depois da P\u00e1scoa, a verdade \u00e9 um rosto a ser amado e n\u00e3o uma doutrina a ser aprendida. \u00c9 um caminho a ser percorrido com Algu\u00e9m que venceu o abismo da desesperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, os disc\u00edpulos, a partir de ent\u00e3o, tornamo-nos homens e mulheres de uma coragem desconhecida. N\u00e3o a coragem tempestuosa dos soldados em guerra, nem a coragem soberba dos que confiam em si mesmos; mas a coragem tranquila, invenc\u00edvel, luminosa daqueles que viram a morte ser derrotada.<\/p>\n\n\n\n<p>A manh\u00e3 de P\u00e1scoa foi o princ\u00edpio de uma nova era para a terra. Por toda parte disseminou-se uma lembran\u00e7a de Cristo ressuscitado, uma promessa escondida nas min\u00facias, uma beleza por detr\u00e1s das coisas ordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, toda saudade que sent\u00edamos dEle, transformou-se em presen\u00e7a, e isso nos basta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Ainda havia l\u00e1grimas sobre a terra quando a manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a raiar. O c\u00e9u, descorado e silencioso, suspenso entre a dor da noite passada e o primeiro latejo de uma esperan\u00e7a desconhecida. Tudo guardava a mem\u00f3ria do sofrimento. 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