{"id":18956,"date":"2026-04-06T09:20:30","date_gmt":"2026-04-06T12:20:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18956"},"modified":"2026-04-06T09:20:30","modified_gmt":"2026-04-06T12:20:30","slug":"quando-cristo-vence-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2026\/04\/06\/quando-cristo-vence-a-morte\/","title":{"rendered":"Quando Cristo vence a morte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo foi a novidade que mudou tudo. Se eu falasse como quem viveu antes dela e visto cidades, pris\u00f5es, mercados, pessoas cultas e pessoas feridas, eu ainda diria que viviam num horizonte estreito.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu diria que a humanidade vivia sob o peso da perda. Crescia entre promessas breves, amava com frieza, labutava sobre a terra, edificava casas, mem\u00f3rias; e, por fim, via tudo encaminhar-se para a mesma borda escura do mundo. A morte e a escurid\u00e3o sequestravam a esperan\u00e7a. At\u00e9 a beleza das manh\u00e3s trazia escondida a not\u00edcia de seu anoitecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia grandeza no mundo \u00e9 bem verdade. Havia amizade, mesa repartida, coragem em meio ao perigo, gente humilde que ainda sabia agradecer. Havia tamb\u00e9m uma f\u00e9 p\u00e1lida, quase teimosa, como se a cria\u00e7\u00e3o inteira guardasse a lembran\u00e7a de uma promessa muito antiga. Mas essa esperan\u00e7a caminhava como viajante em noite escura e a morte ainda era o \u00fanico farol no horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o aconteceu o impens\u00e1vel. Algu\u00e9m desceu at\u00e9 o \u00faltimo degrau da condi\u00e7\u00e3o humana e n\u00e3o se retirou diante do antigo inimigo. Desceu \u00e0 regi\u00e3o onde os homens sempre pensaram que o sil\u00eancio fosse intranspon\u00edvel e pediu contas \u00e0quilo que desde o princ\u00edpio devorava os filhos de Ad\u00e3o. Chamando a morte pelo nome,  Ele tocou seu cetro e quebrou sua ostenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus foi um abalo no fundamento da hist\u00f3ria. O mundo, desde ent\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o pode ser compreendido do mesmo modo. O horizonte mudou. A vida ergueu-se onde antes se erguia a morte. A luz entrou nas c\u00e2maras antigas do medo e o futuro deixou de ser um nome insensato para o inevit\u00e1vel decl\u00ednio das coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cristo ressuscitado, o amor mostrou sua natureza mais alta como for\u00e7a que venceu a morte sem se corromper. Ele \u00e9 mais forte que a morte porque procede de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem contempla a Ressurrei\u00e7\u00e3o com olhos despertos percebe que ela n\u00e3o diz respeito somente ao fim da vida, mas ao sentido de cada dia. Tudo mudou porque a humanidade j\u00e1 n\u00e3o caminha para o fim, mas para a eternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 vit\u00f3ria sobre um evento biol\u00f3gico. \u00c9 a derrota do regime antigo. \u00c9 a queda de uma soberania cruel. \u00c9 o come\u00e7o de uma cria\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o se define a partir do sepulcro, mas a partir da vida gloriosa do Filho. Desde ent\u00e3o, toda tristeza humana pode ser suportada por uma esperan\u00e7a maior, pois toda noite guarda uma fissura por onde entra o amanhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, finalmente, uma esperan\u00e7a de grande estatura no mundo. Cristo ressuscitado faz ver que a morte n\u00e3o governa mais como antes. O inimigo foi desafiado em seu pr\u00f3prio dom\u00ednio e o fundo do abismo se iluminou. O Senhor entrou onde outros s\u00f3 entravam para serem vencidos e de l\u00e1 saiu trazendo consigo a chave da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o crist\u00e3o vive desperto. Sabe que h\u00e1 cruzes reais, injusti\u00e7as concretas, feridas que n\u00e3o se curam. Sabe que o mal fere. Mas sabe tamb\u00e9m que a Ressurrei\u00e7\u00e3o adoperou uma mudan\u00e7a definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes a humanidade olhava para frente e via a sombra final. Agora, vive em Cristo e caminha para a plenitude da vida, pois o t\u00famulo vazio \u00e9 o sinal de que existe uma finalidade mais alta do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que a Igreja, quando permanece fiel ao Ressuscitado, n\u00e3o fala como quem repete f\u00f3rmulas. Ela fala com a vibra\u00e7\u00e3o de quem conhece a not\u00edcia que mais importa ao mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque Cristo desceu \u00e0s profundezas, j\u00e1 n\u00e3o existe profundidade humana que Ele n\u00e3o possa chegar e j\u00e1 n\u00e3o existe noite que seja intranspon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o antigo inimigo ainda golpeie, j\u00e1 perdeu muito de sua for\u00e7a e seu reinado est\u00e1 ferido. Cristo levantou-se, e com ele levantou-se a possibilidade de uma humanidade nova, de uma esperan\u00e7a menos t\u00edmida, de um amor corajoso.<\/p>\n\n\n\n<p>O Senhor desceu \u00e0 escurid\u00e3o e pediu contas. O Senhor enfrentou a morte e a despojou. O Senhor saiu do t\u00famulo levando consigo o nosso futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>E, desde ent\u00e3o, que n\u00f3s, Cat\u00f3licos, j\u00e1 n\u00e3o vivemos sob o escuro da vida, mas vivemos sob a aurora da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo foi a novidade que mudou tudo. Se eu falasse como quem viveu antes dela e visto cidades, pris\u00f5es, mercados, pessoas cultas e pessoas feridas, eu ainda diria que viviam num horizonte estreito. 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