{"id":18945,"date":"2026-04-02T10:15:07","date_gmt":"2026-04-02T13:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18945"},"modified":"2026-04-06T09:46:00","modified_gmt":"2026-04-06T12:46:00","slug":"a-grandeza-da-quinta-feira-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2026\/04\/02\/a-grandeza-da-quinta-feira-santa\/","title":{"rendered":"A grandeza da Quinta-feira Santa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta noite sant\u00edssima, a Igreja entra no Cen\u00e1culo com passos reverentes. O Senhor est\u00e1 \u00e0s v\u00e9speras da paix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A cruz j\u00e1 projeta sua sombra comprida e a fraqueza dos disc\u00edpulos j\u00e1 se anuncia. O mundo prepara-se para ferir o Cordeiro. E, nesse limiar de dor, Cristo realiza um dos atos mais altos e mansos de seu amor ao entregar-se em alimento, em presen\u00e7a que n\u00e3o mais abandonar\u00e1 os seus.<\/p>\n\n\n\n<p>A Quinta-feira Santa \u00e9 a noite da intimidade divina. O Filho de Deus parte o p\u00e3o, ergue o c\u00e1lice e profere palavras que n\u00e3o cessar\u00e3o de ecoar na vida da Igreja. \u201cIsto \u00e9 o meu corpo, que \u00e9 dado por v\u00f3s.\u201d Este c\u00e1lice \u00e9 o meu sangue. E, ao ordenar que fa\u00e7amos isto em sua mem\u00f3ria, abre para o futuro um caminho sacramental pelo qual sua entrega permanecer\u00e1 viva at\u00e9 o fim do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo, escrevendo aos cor\u00edntios, recebeu e transmitiu esse n\u00facleo da f\u00e9. O Ap\u00f3stolo nos legou a tradi\u00e7\u00e3o viva que brota do Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 cat\u00f3lica reconheceu nesta noite o realismo soberano da presen\u00e7a de Cristo. O p\u00e3o e o vinho oferecidos pelo Senhor s\u00e3o eficazes e realizam o que dizem. Quando Ele pronuncia sobre o p\u00e3o: \u201cIsto \u00e9 o meu corpo\u201d, e sobre o c\u00e1lice: \u201cEste \u00e9 o c\u00e1lice do meu sangue\u201d, estamos diante da for\u00e7a criadora do Verbo encarnado. Aquele que chamou o universo \u00e0 exist\u00eancia por sua palavra, nesta noite faz do p\u00e3o e do vinho sacramento verdadeiro de seu Corpo e de seu Sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande luz da Quinta-feira Santa nos ensina que Cristo n\u00e3o quis apenas passar pelo mundo, quis ficar nele. A Eucaristia \u00e9 o excesso de amor pelo qual o Senhor vence a dist\u00e2ncia, atravessa os s\u00e9culos e se faz contempor\u00e2neo de cada gera\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos e disc\u00edpulas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a Eucaristia est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da Igreja como o seu tesouro mais precioso. Nela se conserva uma presen\u00e7a, o pr\u00f3prio Cristo. A Igreja vive da Eucaristia porque vive de Cristo. E Cristo, na Eucaristia, continua a oferec\u00ea-la ao Pai, a uni-la ao seu sacrif\u00edcio e a nutrir-lhe os passos em meio \u00e0s dificuldades do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Quinta-feira Santa revela que a Igreja n\u00e3o nasceu da nostalgia dos disc\u00edpulos, nem de um esfor\u00e7o humano para manter acesa a mem\u00f3ria de Jesus. A Igreja nasce de um gesto do pr\u00f3prio Cristo. \u00c9 Ele quem a funda, re\u00fane e mant\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A Igreja \u00e9 una porque uno \u00e9 o seu fundador, uno \u00e9 o p\u00e3o da vida que a alimenta; una porque \u00e9 a presen\u00e7a real de Cristo que a sustenta. Sua unidade \u00e9 uma gra\u00e7a cristol\u00f3gica que procede de Cristo e retorna a Cristo<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta noite, v\u00ea-se tamb\u00e9m a raz\u00e3o pela qual a Igreja confessa sua identidade singular. Ela o faz porque reconhece, em sua pr\u00f3pria vida, os sinais permanentes da a\u00e7\u00e3o do Senhor. Foi fundada por Cristo e guarda em seu cora\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a real e perp\u00e9tua de Cristo na Eucaristia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cen\u00e1culo, unido \u00e0 cruz e \u00e0 manh\u00e3 da ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais que um epis\u00f3dio comovente da origem crist\u00e3. \u00c9 princ\u00edpio. \u00c9 institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 vontade divina em ato. O Senhor escolhe os ap\u00f3stolos, d\u00e1-lhes parte em sua miss\u00e3o, faz deles testemunhas e ministros de seus mist\u00e9rios. A Igreja, portanto, n\u00e3o se explica por si mesma. Explica-se por Cristo. Seu fundamento n\u00e3o est\u00e1 na oscila\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, mas no querer do Redentor.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristo, por\u00e9m, n\u00e3o se limitou a fund\u00e1-la, mas permaneceu nela. E esta perman\u00eancia atinge na Eucaristia seu ponto mais alto. Ele est\u00e1 com sua Igreja em sua palavra anunciada, em sua caridade vivida, em seus pobres e sofredores, no cora\u00e7\u00e3o dos que creem. Mas est\u00e1 de modo eminente, real, substancial e duradouro no Sant\u00edssimo Sacramento do altar. A Quinta-feira Santa \u00e9 a noite em que a Igreja se prosternou pela primeira vez diante desse mist\u00e9rio que jamais a deixaria \u00f3rf\u00e3. Desde ent\u00e3o, toda vez que o altar \u00e9 preparado, toda vez que o p\u00e3o \u00e9 consagrado, toda vez que o c\u00e1lice \u00e9 elevado, o mundo recebe novamente a consola\u00e7\u00e3o de que o Senhor n\u00e3o nos abandonou.<\/p>\n\n\n\n<p>A sucess\u00e3o apost\u00f3lica, por sua vez, manifesta que esta perman\u00eancia n\u00e3o foi deixada \u00e0 merc\u00ea da confus\u00e3o dos tempos. O mandato \u201cfazei isto\u201d n\u00e3o foi lan\u00e7ado ao vento. Foi confiado aos ap\u00f3stolos e, por eles, transmitido \u00e0queles que lhes sucederam.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a Igreja celebra hoje n\u00e3o vem de uma inven\u00e7\u00e3o tardia, nem de uma elabora\u00e7\u00e3o devocional acumulada ao longo dos s\u00e9culos. Vem do Senhor, atrav\u00e9s da continuidade apost\u00f3lica. Na sucess\u00e3o dos bispos, em comunh\u00e3o com Pedro, a Igreja reconhece a continuidade vis\u00edvel daquela corrente invis\u00edvel de gra\u00e7a que brotou do Cen\u00e1culo. Assim, a mesma Eucaristia institu\u00edda por Cristo atravessa o tempo sem perder nada.<\/p>\n\n\n\n<p>A Quinta-feira Santa \u00e9, portanto, a noite em que a Igreja contempla ao mesmo tempo seu nascimento, sua unidade e sua miss\u00e3o. Ela se reconhece \u00e0 luz da Eucaristia e entende, a partir dela, sua beleza e sua responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta noite santa, a f\u00e9 da Igreja n\u00e3o pode ser outra, sen\u00e3o que o Senhor ficou conosco no P\u00e3o consagrado, no C\u00e1lice da nova alian\u00e7a, no minist\u00e9rio apost\u00f3lico transmitido; na una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica Igreja, ficou conosco. E porque ficou, a esperan\u00e7a n\u00e3o morreu; a f\u00e9 n\u00e3o vacilou; a hist\u00f3ria n\u00e3o se fechou.<\/p>\n\n\n\n<p>A Quinta-feira Santa \u00e9 a noite em que a eternidade se assentou \u00e0 mesa e, desde ent\u00e3o, o mundo nunca mais se sentiu abandonado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Nesta noite sant\u00edssima, a Igreja entra no Cen\u00e1culo com passos reverentes. O Senhor est\u00e1 \u00e0s v\u00e9speras da paix\u00e3o. A cruz j\u00e1 projeta sua sombra comprida e a fraqueza dos disc\u00edpulos j\u00e1 se anuncia. O mundo prepara-se para ferir o Cordeiro. 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