{"id":18759,"date":"2026-02-02T09:13:05","date_gmt":"2026-02-02T12:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18759"},"modified":"2026-03-19T10:04:22","modified_gmt":"2026-03-19T13:04:22","slug":"o-sermao-mais-importante-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2026\/02\/02\/o-sermao-mais-importante-da-historia\/","title":{"rendered":"O serm\u00e3o mais importante da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota\u00a0<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Naquele tempo Jesus viu uma multid\u00e3o na plan\u00edcie e subiu ao monte para lhe falar, e o monte tornou-se&nbsp;uma luz&nbsp;para&nbsp;iluminar&nbsp;a humanidade&nbsp;que estava porvir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se colocar na parte alta do terreno&nbsp;Ele retoma a&nbsp;antiga sabedoria&nbsp;dos&nbsp;s\u00e9culos&nbsp;e&nbsp;toca algo profundo na estrutura do real, assim como Mois\u00e9s o fez. O alto n\u00e3o \u00e9&nbsp;somente&nbsp;uma posi\u00e7\u00e3o, mas um lugar de vis\u00e3o, de liberdade e de sentido. Do alto se enxerga o todo&nbsp;e&nbsp;se escolhe o caminho;&nbsp;do alto se imp\u00f5e ao advers\u00e1rio o peso da subida.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O serm\u00e3o de&nbsp;Jesus, em&nbsp;Mateus 5,1-12,&nbsp;inaugura o futuro. Ele&nbsp;chancela&nbsp;a cria\u00e7\u00e3o que vinha pedindo dire\u00e7\u00e3o e planta na poeira&nbsp;inquieta&nbsp;da hist\u00f3ria uma ordem viva, capaz de atravessar imp\u00e9rios, ru\u00ednas e tecnologias. O Serm\u00e3o da Montanha permanece como o mais importante de todos&nbsp;os serm\u00f5es&nbsp;porque carrega uma evid\u00eancia que Deus&nbsp;pode&nbsp;ajustar&nbsp;o mundo a partir&nbsp;daqueles&nbsp;que o mundo&nbsp;rejeita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como no Sinai, onde a Lei foi dada, no Monte algo decisivo tamb\u00e9m acontece. Mas agora n\u00e3o s\u00e3o t\u00e1buas de pedra que descem do alto. \u00c9 um cora\u00e7\u00e3o novo que se abre, e Jesus j\u00e1 n\u00e3o entrega normas, mas um caminho onde o centro do mundo \u00e9 deslocado do poder para a miseric\u00f3rdia, da imposi\u00e7\u00e3o para a mansid\u00e3o, da vit\u00f3ria para a fidelidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este serm\u00e3o Ele o fez sentado. Quem se assenta toma posse do tempo como Senhor de tudo, e assim, mesmo encarnado na natureza humana,&nbsp;ningu\u00e9m nunca se pareceu&nbsp;tanto&nbsp;com as manifesta\u00e7\u00f5es grandiosas de Deus, como Ele.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra que Ele est\u00e1 para dizer n\u00e3o \u00e9 apressada, \u00e9 um ensinamento que organizar\u00e1 o futuro, por isso os disc\u00edpulos se aproximam e o mundo se aconchega para&nbsp;entender&nbsp;o seu&nbsp;prop\u00f3sito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;serm\u00e3o&nbsp;come\u00e7a com um olhar. Jesus olha e, ao olhar, escolhe a dire\u00e7\u00e3o. Ele fala aos&nbsp;seus&nbsp;e apresenta a eles o povo&nbsp;com o intento de&nbsp;formar&nbsp;disc\u00edpulos para que o mundo n\u00e3o perca os pobres.&nbsp;Em seguida&nbsp;Ele&nbsp;estabelece quem tem prioridade na casa de Deus&nbsp;e&nbsp;entrega ao tempo um crit\u00e9rio que o tempo precisa reaprender, pois&nbsp;indica os primeiros brotos do Reino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ali, no&nbsp;Monte, o mundo \u00e9 visto de outra maneira. As pressas do vale, as disputas, os c\u00e1lculos, as hierarquias de for\u00e7a e prest\u00edgio ficam abaixo,&nbsp;e o humano aparece n\u00e3o pelo que possui, mas pelo que espera. \u00c9 deste lugar que Jesus come\u00e7a a falar. E o que Ele diz n\u00e3o \u00e9 um coment\u00e1rio sobre a realidade, mas&nbsp;um novo modo&nbsp;de habit\u00e1-la. O Serm\u00e3o da Montanha revela tudo que \u00e9 verdadeiro e belo na&nbsp;humanidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u201c<em>Vendo as multid\u00f5es, subiu ao monte\u2026 e come\u00e7ou a ensin\u00e1-los<\/em>\u201d:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us<\/em>. A pobreza espiritual abre a porta por dentro. O pobre em esp\u00edrito vive desarmado de pretens\u00f5es, livre para receber. Ele caminha sem se apoiar na ilus\u00e3o de dom\u00ednio&nbsp;e&nbsp;carrega uma confian\u00e7a anterior ao c\u00e1lculo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os que choram, porque ser\u00e3o consolados<\/em>.\u00a0O choro guarda a dignidade do amor. Ele preserva a humanidade de endurecer. Ele conserva a mem\u00f3ria do que ainda pede salva\u00e7\u00e3o. Jesus contempla esse pranto como quem contempla uma\u00a0semente.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os mansos, porque possuir\u00e3o a terra<\/em>.\u00a0A mansid\u00e3o governa a terra\u00a0com sensibilidade. Ela constr\u00f3i o que a viol\u00eancia destr\u00f3i\u00a0e\u00a0faz habitar o que o grito dispersa. O manso carrega\u00a0uma\u00a0for\u00e7a\u00a0cort\u00eas, firmeza iluminada, autoridade que n\u00e3o humilha. A terra reconhece essa\u00a0pessoa\u00a0como herdeira, porque a terra se deixa cultivar por\u00a0elas. A mansid\u00e3o funda cidades e salva fam\u00edlias. Ela semeia futuro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, porque ser\u00e3o saciados<\/em>.&nbsp;A justi\u00e7a se torna fome no cora\u00e7\u00e3o. Ela arde como sede na garganta de quem n\u00e3o se acostuma com o mal&nbsp;e&nbsp;p\u00f5e&nbsp;perguntas que protegem a alma. Nessa fome vive uma promessa. Deus sacia porque Deus \u00e9 fiel ao clamor que Ele mesmo&nbsp;fez cintilar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia<\/em>.&nbsp;A miseric\u00f3rdia tem o peso de Deus na m\u00e3o humana. Ela toca a mis\u00e9ria e devolve dignidade. Ela refaz la\u00e7os, cura hist\u00f3rias, abre&nbsp;o&nbsp;amanh\u00e3 para quem se via sem&nbsp;futuro.&nbsp;No&nbsp;misericordioso a miseric\u00f3rdia de Deus encontra continuidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os puros de cora\u00e7\u00e3o, porque ver\u00e3o a Deus<\/em>. O cora\u00e7\u00e3o puro unifica o olhar. Ele re\u00fane as inten\u00e7\u00f5es, recolhe os desejos, alinha a vida com a verdade. A vis\u00e3o de Deus n\u00e3o nasce de curiosidade, nasce de retid\u00e3o interior. O puro reconhece o essencial no meio do excesso&nbsp;e&nbsp;guarda dentro de si uma claridade que o mundo sente falta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os pacificadores, porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus<\/em>.&nbsp;O pacificador trabalha como Deus trabalha. Ele faz nascer unidade onde havia ruptura&nbsp;e&nbsp;semeia reconcilia\u00e7\u00e3o onde havia suspeita. A paz cresce ao redor dele como sombra boa. Por isso recebe o nome de filho,&nbsp;porque reproduz o estilo do Pai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os perseguidos por causa da justi\u00e7a, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us<\/em>.&nbsp;A fidelidade cria ra\u00edzes no tempo&nbsp;e&nbsp;permanece quando a press\u00e3o chega. O perseguido por causa da justi\u00e7a sustenta a alegria&nbsp;de&nbsp;quem pertence ao Reino com tudo o que&nbsp;ele&nbsp;\u00e9.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim,&nbsp;\u201c<em>Bem-aventurados sois v\u00f3s<\/em>\u2026\u201d. Jesus aproxima a promessa&nbsp;de todos n\u00f3s. Ele d\u00e1&nbsp;o manual do discipulado e da santidade. Ele chama a Igreja para dentro&nbsp;do&nbsp;seu&nbsp;pr\u00f3prio destino. O Reino se torna perten\u00e7a&nbsp;e a&nbsp;recompensa se torna horizonte. A alegria se torna disciplina do cora\u00e7\u00e3o&nbsp;e o&nbsp;monte gera uma humanidade&nbsp;imp\u00e1vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse mundo\u00a0que\u00a0se ergue sobre as bem-aventuran\u00e7as, e que vivemos agora,\u00a0estende-se\u00a0na\u00a0Igreja.\u00a0Quem\u00a0a\u00a0escuta j\u00e1 n\u00e3o pode ser\u00a0governado\u00a0pelos crit\u00e9rios do\u00a0vale, a\u00a0persegui\u00e7\u00e3o n\u00e3o define\u00a0mais\u00a0o\u00a0seu\u00a0destino. A pobreza n\u00e3o \u00e9 o fim, a dor n\u00e3o \u00e9 absurda. Tudo passa a gravitar em torno de um Reino que n\u00e3o pode ser tomado, porque n\u00e3o est\u00e1 apoiado na for\u00e7a, mas na verdade. Por isso o Serm\u00e3o da Montanha nunca envelhece! E, enquanto o monte estiver ocupado, a hist\u00f3ria n\u00e3o pertence aos que dominam de baixo, mas \u00e0queles que aprenderam a olhar o mundo do alto, com os olhos\u00a0do pr\u00f3prio\u00a0Cristo.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha Mota\u00a0Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)\u00a0 Naquele tempo Jesus viu uma multid\u00e3o na plan\u00edcie e subiu ao monte para lhe falar, e o monte tornou-se&nbsp;uma luz&nbsp;para&nbsp;iluminar&nbsp;a humanidade&nbsp;que estava porvir.&nbsp; Ao se colocar na parte alta do terreno&nbsp;Ele retoma a&nbsp;antiga sabedoria&nbsp;dos&nbsp;s\u00e9culos&nbsp;e&nbsp;toca algo profundo na estrutura do real, assim como Mois\u00e9s o<span class=\"read-more arrow\"><a href=\"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2026\/02\/02\/o-sermao-mais-importante-da-historia\/\" title=\"Read More\">&rarr;<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18760,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ub_ctt_via":"","footnotes":""},"categories":[242],"tags":[244,221],"class_list":{"0":"post-18759","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos","8":"tag-artigos","9":"tag-dom-lindomar"},"featured_image_src":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Banners-site.png","author_info":{"display_name":false,"author_link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/author\/lucas\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18759"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18761,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18759\/revisions\/18761"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}