{"id":18677,"date":"2025-12-14T18:36:24","date_gmt":"2025-12-14T21:36:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18677"},"modified":"2025-12-24T18:40:47","modified_gmt":"2025-12-24T21:40:47","slug":"o-mundo-a-beira-do-milagre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/12\/14\/o-mundo-a-beira-do-milagre\/","title":{"rendered":"O mundo \u00e0 beira do milagre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Foi como se o mundo estivesse \u00e0 beira do imposs\u00edvel. Nada ainda tinha nome e o deserto n\u00e3o era chamado de deserto, nem a esperan\u00e7a de esperan\u00e7a. A terra vivia sem chuva, o cora\u00e7\u00e3o, sem resposta e o tempo sem promessa. Tudo isso foi antes do Advento.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro advento n\u00e3o foi como celebramos hoje, foi uma esp\u00e9cie de estremecimento primordial, um c\u00e9u silencioso que come\u00e7ou a se movimentar e surpreendeu a humanidade inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Aconteceu que, pela primeira vez, algu\u00e9m encontrou os escritos sagrados de Isa\u00edas e n\u00e3o os leu como um texto antigo, pois havia chegado o tempo predito por Deus para que tais coisas fossem compreendidas, e<em> o deserto e a terra \u00e1rida exultaram\u2026 as m\u00e3os fracas se fortaleceram,\u2026 os olhos dos cegos se abriram.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m sabia explicar como palavras assim podiam existir num mundo t\u00e3o abatido e cansado. Mas havia nelas um tipo de sabedoria que n\u00e3o era humana. Pois essa profecia assumia a cria\u00e7\u00e3o que era sua, e gritava: <em>levanta-te, porque Algu\u00e9m est\u00e1 vindo, e o tempo n\u00e3o poder\u00e1 det\u00ea-Lo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, a hist\u00f3ria inteira se inclinou para a vinda do Salvador, e o tempo, exausto de esperar, finalmente cedeu, abrindo passagem para Ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi neste tempo que Jo\u00e3o surgiu no ermo. N\u00e3o no esplendor dos templos, mas na borda do mundo, como um grito que amadureceu no sil\u00eancio. Ele era a urg\u00eancia feita carne e a pressa de Deus na cad\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o humano. E, quando o prenderam, a urg\u00eancia n\u00e3o diminuiu, porque n\u00e3o era deste mundo, tornou-se mais robusta, quase palp\u00e1vel, quase insuport\u00e1vel no raiar do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Da pris\u00e3o, Jo\u00e3o perguntou aquilo que toda a humanidade sempre temeu em perguntar: \u00e9<em>s Tu aquele que h\u00e1 de vir, ou devemos esperar outro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Era o desespero fecundo de quem sabe que, se n\u00e3o fosse Ele nada mais faria sentido; se Ele n\u00e3o fosse o esperado, n\u00e3o haveria outro. N\u00e3o era d\u00favida, era f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A essa ser\u00edssima quest\u00e3o da humanidade, Jesus respondeu com acontecimentos, do jeito que s\u00f3 Deus faz. Porque, no primeiro Advento, a verdade n\u00e3o era dita com palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, <em>os cegos principiaram a ver, os coxos a andar, os leprosos s\u00e3o purificados, os mortos ressuscitam, e os pobres come\u00e7am ouvir a Boa-Nova.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o pediu um sinal e Jesus lhe mostrou o mundo recome\u00e7ando. O cora\u00e7\u00e3o humano buscava uma prova, e Deus lhe proporcionou uma transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim no terceiro Domingo do Advento. Uma alegria que cresce como a \u00e1gua secreta no cerrado, prestes a florescer. Nele, a alegria inesperada \u00e9 um aviso de que a luz j\u00e1 come\u00e7ou a infiltrar-se nas frestas das encostas do mundo e a cria\u00e7\u00e3o, cansada de esperar, pressente os passos daquele que vem.<\/p>\n\n\n\n<p>A alma humana, em sua urg\u00eancia mais profunda percebe essa chegada. Sente que o Senhor se aproxima e o deserto floresce, os fracos se erguem e o mundo respira diferente, porque a aurora j\u00e1 come\u00e7ou. A alma percebe, finalmente, que todas as circunst\u00e2ncias mudaram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Foi como se o mundo estivesse \u00e0 beira do imposs\u00edvel. Nada ainda tinha nome e o deserto n\u00e3o era chamado de deserto, nem a esperan\u00e7a de esperan\u00e7a. A terra vivia sem chuva, o cora\u00e7\u00e3o, sem resposta e o tempo sem promessa. 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