{"id":18670,"date":"2025-11-24T07:57:56","date_gmt":"2025-11-24T10:57:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18670"},"modified":"2025-12-24T18:40:54","modified_gmt":"2025-12-24T21:40:54","slug":"uma-vela-por-semana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/11\/24\/uma-vela-por-semana\/","title":{"rendered":"Uma vela por semana"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, no princ\u00edpio das nossas inquieta\u00e7\u00f5es, um desejo bom de preservar a luz que nunca se perde de si. Uma luz que ilumina por dentro e devolve em cores mais belas tudo que recebe. Entre o temor de perd\u00ea-la e a sede de possu\u00ed-la, o cora\u00e7\u00e3o humano ergueu muralhas, selou portas, levantou torres. E, como quem aperta demais o que ama, quebrou aquilo que pretendia guardar. Da\u00ed nasceram suspeitas, palavras afiadas e dissimula\u00e7\u00e3o que nos afastou de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>O Advento come\u00e7a aqui, quando a m\u00e3o cansada desiste de trabalhar em muros, e a alma aprende o dif\u00edcil of\u00edcio de<strong>&nbsp;<\/strong><strong>esperar e fazer reparos<\/strong>. Uma espera produtiva que acende pequenas chamas no meio de ventanias.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus Cristo vem como Luz que n\u00e3o se fabrica, n\u00e3o se compra, n\u00e3o se oculta. Cujo brilho n\u00e3o \u00e9 de pedras raras, mas dEle mesmo. Tocados por Ele, a esperan\u00e7a, que parecia definhar sob os golpes da noite, respira sem pressa e o tempo n\u00e3o \u00e9 mais inimigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a luz que se ergue acima dos morros, \u201cEle nos ensinar\u00e1 seus caminhos, e n\u00f3s trilharemos suas veredas\u201d. A subida come\u00e7a com uma not\u00edcia. O Cristo que vem \u00e9 juiz manso que mede sem humilhar, pesa sem esmagar e p\u00f5e cada coisa no seu devido lugar. Um lugar que cura.<\/p>\n\n\n\n<p>Do alto dessa bondade forja-se um milagre de ferreiro e&nbsp;<strong>espadas viram arados, lan\u00e7as viram l\u00e2minas de poda<\/strong>. O metal conserva a dureza, mas muda de destino. Tudo que feriu a terra aprende a cultiv\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro de n\u00f3s, os talentos domesticados pelo medo reaprendem o servi\u00e7o; a intelig\u00eancia deixa de ser l\u00e2mina e torna-se l\u00e2mpada; a l\u00edngua, que tanto cortou, transforma-se em instrumento de poda para que a vida frutifique.<\/p>\n\n\n\n<p>O Advento \u00e9 uma oficina silenciosa onde, a cada semana, um gesto trocado, um instrumento convertido, um campo \u00e1rido volta a receber vida e molda a coragem que espera o amanhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a noite volta a se espalhar, porque ela sempre volta, j\u00e1 estamos assegurados pela Luz que n\u00e3o depende de n\u00f3s. Ela vem como quem nos conhece pelo nome, sem barulho, como uma presen\u00e7a que aceita o cani\u00e7o rachado da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O profeta havia dito: \u201cCaminharemos na luz do Senhor\u201d, e \u00e9 nessa luz que caminhamos! N\u00e3o caminhamos sozinhos, pois a humanidade que se esfacelava volta a entender a l\u00edngua de encontro. A esperan\u00e7a deixou de murmurar e tornou-se realidade na manjedoura do mundo, porque o mundo todo \u00e9 uma manjedoura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda h\u00e1 sombras altas como as montanhas, h\u00e1 mentiras que se repetem at\u00e9 a exaust\u00e3o, h\u00e1 poderes que se vestem de claridade para melhor cegar. Mas aprendemos com a vela do primeiro domingo que a noite n\u00e3o \u00e9 soberana. A chama pequena n\u00e3o vence pelo seu tamanho; vence porque&nbsp;<strong>insiste<\/strong>. Ela retorna a cada sopro, reaparece a cada curva, e, quando as outras se juntarem a ela a sala inteira ficar\u00e1 iluminada. O Advento nos disciplina nessa teimosia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o quarto domingo chegar e a coroa conter a inteireza de luz, saberemos que a esperan\u00e7a n\u00e3o morreu, porque foi Deus quem a sustentou enquanto aprend\u00edamos a acreditar.<\/p>\n\n\n\n<p>E, na noite grande do mundo, n\u00e3o teremos armaduras, nem f\u00f3rmulas de posse, nem pactos de ferro. Teremos olhos habituados ao clar\u00e3o manso, ouvidos treinados na vereda, passos afinados ao ritmo de quem caminha na montanha. Ent\u00e3o, mesmo que o mundo insista em entoar a velha can\u00e7\u00e3o do medo, n\u00f3s&nbsp;<strong>caminharemos na luz do Senhor porque j\u00e1 teremos sido alcan\u00e7ados por Ele<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) H\u00e1, no princ\u00edpio das nossas inquieta\u00e7\u00f5es, um desejo bom de preservar a luz que nunca se perde de si. 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