{"id":18595,"date":"2025-10-09T15:39:03","date_gmt":"2025-10-09T18:39:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18595"},"modified":"2025-12-20T12:25:51","modified_gmt":"2025-12-20T15:25:51","slug":"dilexi-te-publicada-a-primeira-exortacao-apostolica-do-papa-leao-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/10\/09\/dilexi-te-publicada-a-primeira-exortacao-apostolica-do-papa-leao-xiv\/","title":{"rendered":"Dilexi te &#8211; Publicada a primeira Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica do Papa Le\u00e3o XIV"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Santo Padre,&nbsp;<strong>Le\u00e3o XIV<\/strong>&nbsp;nos envolve numa carta fraterna, pedindo, desde o in\u00edcio, que&nbsp;<strong>\u201c<em>Dilexi te<\/em>\u201d<\/strong>&nbsp;ajude a Igreja a&nbsp;<strong>servir os pobres e a conduzi-los a Cristo<\/strong><strong>.<\/strong>&nbsp;O tom \u00e9 de convoca\u00e7\u00e3o universal, como quem re\u00fane a fam\u00edlia antes de partir em miss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3logo, centrado no \u201c<strong>Eu te amei<\/strong>\u201d do Apocalipse 3,9, dirigido \u00e0 comunidade de Filadelfia \u201cde pouca for\u00e7a\u201d, dialoga com a promessa do Magnificat, que exalta os humildes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 um pre\u00e2mbulo est\u00e9tico, mas uma chave de leitura gritando que&nbsp;<strong>o amor de Cristo preferiu o pequeno.<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A arquitetura interna do texto confirma esse itiner\u00e1rio. O \u00edndice deixa ver um percurso que vai da liberta\u00e7\u00e3o concreta \u2014 \u201clibertar os cativos\u201d, \u201ctestemunhas da pobreza evang\u00e9lica\u201d, \u201cinstru\u00e7\u00e3o dos pobres\u201d, \u201cacompanhar os migrantes\u201d, \u201cao lado dos \u00faltimos\u201d, \u201cmovimentos populares\u201d \u2014 \u00e0 leitura hist\u00f3rica de um s\u00e9culo de doutrina social, passando pelo discernimento das \u201cestruturas de pecado\u201d e culminando na afirma\u00e7\u00e3o dos pobres como sujeitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00e3o cap\u00edtulos tem\u00e1ticos justapostos. Eles formam uma narrativa org\u00e2nica, na qual a contempla\u00e7\u00e3o se desdobra em institui\u00e7\u00f5es, e a liturgia transborda em justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma prefer\u00eancia que reorganiza a nossa pastoral, a nossa linguagem e o nosso or\u00e7amento. A costura com a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica&nbsp;<strong><em>Dilexit nos<\/em><\/strong><strong>&nbsp;<\/strong>ilumina o caminho e contempla o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus que&nbsp;<strong>se identifica com os \u00faltimos<\/strong>. A partir da\u00ed somos chamados a ser&nbsp;instrumentos de liberta\u00e7\u00e3o; o amor contemplado se faz amor praticado, e o culto desemboca em aten\u00e7\u00e3o e cuidado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma delicadeza de sucess\u00e3o espiritual. O texto nos conta que Papa&nbsp;<strong>Francisco<\/strong>&nbsp;preparava uma exorta\u00e7\u00e3o sobre \u201co cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres\u201d, e que esse des\u00edgnio \u00e9 recebido como heran\u00e7a e&nbsp;<strong>assumido no in\u00edcio de um novo pontificado<\/strong>. O fio que passa de m\u00e3o em m\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas doutrina, \u00e9 um&nbsp;<strong>desejo<\/strong>&nbsp;que todos&nbsp;<strong>percebam a liga\u00e7\u00e3o forte<\/strong>&nbsp;entre o amor de Cristo e o chamado a nos tornarmos&nbsp;<strong>pr\u00f3ximos dos pobres<\/strong><strong>.&nbsp;<\/strong>Nesta passagem, n\u00f3s, leitores, somos discretamente introduzidos como&nbsp;<strong>herdeiros<\/strong>&nbsp;convocados para um recome\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, o documento finca estacas b\u00edblicas. Retorna \u00e0&nbsp;<strong>sar\u00e7a de \u00caxodo<\/strong>: \u201cEu vi\u2026 eu ouvi\u2026 eu desci\u2026 Agora, vai: eu te envio\u201d. A gram\u00e1tica de Deus \u00e9 a de um&nbsp;<strong><em>ver que escuta<\/em><\/strong>&nbsp;e de um&nbsp;<strong><em>ouvir que desce<\/em><\/strong>; e, se ficamos indiferentes ao clamor, n\u00e3o estamos neutros \u2014&nbsp;<strong>pecamos<\/strong>&nbsp;contra o cora\u00e7\u00e3o de Deus. Reconhecer essa gram\u00e1tica nos impede de transformar a caridade em filantropia e a miss\u00e3o em projeto. Aqui, a Escritura acende uma responsabilidade concreta:&nbsp;<strong>identificar-nos com o cora\u00e7\u00e3o de Deus<\/strong>&nbsp;e traduzi-lo em presen\u00e7a, justi\u00e7a e p\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O texto tamb\u00e9m situa \u201c<em>Dilexi te<\/em>\u201d dentro da grande travessia eclesial recente. O&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong>leu a pr\u00f3pria miss\u00e3o sob o sinal do&nbsp;<strong>bom samaritano<\/strong>; onde a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres \u201c<strong>muda a hist\u00f3ria<\/strong>\u201d, porque nos&nbsp;<strong>descentra<\/strong>&nbsp;da autorreferencialidade e&nbsp;<strong>reabre o ouvido<\/strong>&nbsp;para o clamor. O que se pede de n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o, mas uma&nbsp;<strong>convers\u00e3o pastoral<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No cora\u00e7\u00e3o do itiner\u00e1rio, a Tradi\u00e7\u00e3o aparece&nbsp;<strong>viva<\/strong>. Os&nbsp;<strong>Atos dos Ap\u00f3stolos<\/strong>&nbsp;s\u00e3o lidos como g\u00eanese de uma Igreja que inventa&nbsp;<strong>diaconia<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong>para que ningu\u00e9m fique sem mesa; Est\u00eav\u00e3o, primeiro m\u00e1rtir, nasce precisamente desse lugar de servi\u00e7o. E, dois s\u00e9culos adiante,&nbsp;<strong>S\u00e3o Louren\u00e7o<\/strong>&nbsp;ergue os pobres como&nbsp;<strong>\u201ctesouros da Igreja\u201d<\/strong>, ensinando-nos que&nbsp;<strong>Cristo est\u00e1<\/strong>&nbsp;onde o necessitado nos olha. \u00c9 uma mem\u00f3ria que julga o presente: minist\u00e9rios e estruturas s\u00f3 se justificam quando&nbsp;<strong>guardam o tesouro<\/strong>&nbsp;que o di\u00e1cono apresentou ao imp\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre esses gigantes da f\u00e9, o Papa introduz a nossa&nbsp;<strong>Santa Dulce dos Pobres<\/strong>, mulher de confian\u00e7a evang\u00e9lica concreta, capaz de transformar o pouco que dispunha em suficiente para todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O documento n\u00e3o se contenta em&nbsp;<strong>nomear<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong>os pobres, mas deseja&nbsp;<strong>restitui-lhes a condi\u00e7\u00e3o de sujeito<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste movimento, igualmente, decisivo,&nbsp;<em>Dilexi te<\/em>&nbsp;dialoga com Aparecida para lembrar que a op\u00e7\u00e3o pelos pobres est\u00e1 \u201cimpl\u00edcita na f\u00e9 cristol\u00f3gica\u201d e n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice meramente sociol\u00f3gico, mas consequ\u00eancia da confiss\u00e3o do Deus que \u201cse fez pobre por n\u00f3s\u201d. E, ao insistir que comunidades marginalizadas s\u00e3o&nbsp;sujeitos&nbsp;que geram cultura, celebram e comunicam a f\u00e9 desde os seus valores fundamentais. A Exorta\u00e7\u00e3o desloca a Igreja do \u201cpara\u201d o pobre ao \u201ccom\u201d os pobres. Aqui, a tradi\u00e7\u00e3o latino-americana encontra resson\u00e2ncia universal e abre passagem a uma eclesiologia de mesa aberta, inclusiva, onde n\u00e3o falte lugar a ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ao longo das p\u00e1ginas, uma pedagogia do&nbsp;<strong>afeto que ganha forma<\/strong>. Renova-se a insist\u00eancia em que&nbsp;<strong><em>a Igreja se cura servindo<\/em><\/strong><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>e se<\/em><\/strong><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>rejuvenesce inclinando-se<\/em><\/strong>; quando a caridade sai das inten\u00e7\u00f5es e entra na administra\u00e7\u00e3o, no calend\u00e1rio, na homilia e na rua, o pobre volta a&nbsp;<strong>respirar<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Colocando \u201co pobre no centro\u201d,&nbsp;<em>Dilexi te<\/em>&nbsp;repete, como refr\u00e3o, a urg\u00eancia de&nbsp;<strong><em>ver, ouvir, descer, enviar; acolher, partilhar, instituir, defender<\/em><\/strong>, como fundamento para uma santidade que n\u00e3o \u00e9 abstra\u00e7\u00e3o, mas&nbsp;<strong>estrutura reorganizada<\/strong>&nbsp;para que ningu\u00e9m fique de fora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, fica a impress\u00e3o bonita de que<strong>&nbsp;\u201c<em>Dilexi te<\/em>\u201d<\/strong>&nbsp;n\u00e3o nos entrega lemas, mas&nbsp;<strong>crit\u00e9rio<\/strong><strong>.<\/strong>&nbsp;O amor primeiro de Cristo (<strong>Eu te amei<\/strong>) torna-se medida do nosso amor; a mesa da Eucaristia pede a mesa dos esquecidos; a op\u00e7\u00e3o pelos pobres&nbsp;<strong>desideologiza<\/strong>&nbsp;a Igreja porque a reconduz \u00e0&nbsp;<strong>Revela\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Exeg\u00e9tica e historicamente,&nbsp;<em>Dilexi te<\/em>&nbsp;n\u00e3o pretende inventar um caminho. Em vez, ela costura Ap 3 e Lc 1, \u00caxodo e Atos, Ambr\u00f3sio e Aparecida, Conc\u00edlio e caminho sinodal. Ao faz\u00ea-lo, devolve \u00e0 Igreja a sua forma evang\u00e9lica num povo que adora Deus no p\u00e3o partido e O encontra de novo no p\u00e3o repartido; um corpo que se deixa mover pelo Esp\u00edrito para descer \u00e0s encruzilhadas onde a humanidade sangra e a esperan\u00e7a ainda \u00e9 min\u00fascula. Receb\u00ea-la bem \u00e9 deixar que esse sopro reordene o nosso passo \u2014 para que, a quem tem pouca for\u00e7a, a nossa vida sussurre o que o Senhor j\u00e1 disse: \u201cEu te amei\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Recebemos, assim, n\u00e3o um documento para ler, mas um\u00a0<strong>programa espiritual e pastoral<\/strong><em>:<\/em><strong><em>\u00a0ver<\/em><\/strong>\u00a0como Deus v\u00ea,\u00a0<strong><em>escutar<\/em><\/strong>\u00a0como Ele escuta,\u00a0<strong><em>descer<\/em><\/strong>\u00a0como Ele desce,\u00a0<strong><em>enviar-se\u00a0<\/em><\/strong>como Ele envia. Assim, juntos, \u2014\u00a0<strong><em>n\u00f3s<\/em><\/strong>, Igreja inteira, retomaremos aquela experi\u00eancia do in\u00edcio e diremos aos que t\u00eam\u00a0<strong>pouca for\u00e7a<\/strong>:\u00a0<strong>Eu\u00a0<\/strong><em>tamb\u00e9m<\/em><strong>\u00a0te amei<\/strong>.\u00a0<br><br>Leia a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Dilexi te<\/em> na \u00edntegra, <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>CLIQUE AQUI<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) O Santo Padre,&nbsp;Le\u00e3o XIV&nbsp;nos envolve numa carta fraterna, pedindo, desde o in\u00edcio, que&nbsp;\u201cDilexi te\u201d&nbsp;ajude a Igreja a&nbsp;servir os pobres e a conduzi-los a Cristo.&nbsp;O tom \u00e9 de convoca\u00e7\u00e3o universal, como quem re\u00fane a fam\u00edlia antes de partir em miss\u00e3o.&nbsp; O pr\u00f3logo, centrado no \u201cEu<span class=\"read-more arrow\"><a href=\"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/10\/09\/dilexi-te-publicada-a-primeira-exortacao-apostolica-do-papa-leao-xiv\/\" title=\"Read More\">&rarr;<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18598,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ub_ctt_via":"","footnotes":""},"categories":[383,471],"tags":[221,422,464,216],"class_list":{"0":"post-18595","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-santa-se","8":"category-santo-padre","9":"tag-dom-lindomar","10":"tag-exortacao-apostolica","11":"tag-papa-leao-xiv","12":"tag-santa-se"},"featured_image_src":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banners-site-1.png","author_info":{"display_name":false,"author_link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/author\/lucas\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18595"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18600,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18595\/revisions\/18600"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18598"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}