{"id":18548,"date":"2025-08-22T14:58:33","date_gmt":"2025-08-22T17:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18548"},"modified":"2025-10-06T08:25:01","modified_gmt":"2025-10-06T11:25:01","slug":"quantos-se-salvam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/08\/22\/quantos-se-salvam\/","title":{"rendered":"Quantos se salvam?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o \u00e9 real e pedag\u00f3gica. Jesus escuta a pergunta num\u00e9rica e, em vez de oferecer estat\u00edstica, converte-a em caminho dizendo: \u201cEsfor\u00e7ai-vos por entrar pela porta estreita\u201d (Lc 13,24). Isa\u00edas, por sua vez, deixa claro que o sujeito da hist\u00f3ria \u00e9 Deus que vem, v\u00ea, conhece, re\u00fane. Entre a porta estreita e o ajuntamento de todas as na\u00e7\u00f5es est\u00e1 a vontade universal do cora\u00e7\u00e3o de Deus. De um lado o c\u00e1lculo, de outro o horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira corre\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 espiritual. Para Ele, quem conta n\u00e3o se converte, quem se converte, n\u00e3o precisa contar. A pergunta \u201cpoucos ou muitos?\u201d nasce, muitas vezes, do medo de perder ou do desejo secreto de pertencer a um grupo de escolhidos. Jesus desarma esse mecanismo. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o loteamento. Por isso, em Lucas, Ele fala da <strong>porta<\/strong>, e em Jo\u00e3o Ele \u00e9 a <strong>porta<\/strong> (Jo 10,9). A estreiteza n\u00e3o \u00e9 impossibilidade nem dificuldade desnecess\u00e1ria, mas a forma do amor de Cristo. \u00c9 estreita porque leva a cruz; \u00e9 estreita porque n\u00e3o se entra com fardos sup\u00e9rfluos, ressentimentos guardados, superioridade moral. A porta \u00e9 estreita para que caibam todos, contanto que cada um se disponha a deixar do lado aquilo que n\u00e3o serve.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus n\u00e3o vem para reunir uma tribo, mas \u201ctodos os povos e l\u00ednguas\u201d, lembra Isa\u00edas. A universalidade n\u00e3o contradiz a porta estreita. Se o destino \u00e9 o encontro de todos, o acesso n\u00e3o pode ser o da for\u00e7a, da origem, do m\u00e9rito, dos m\u00faltiplos caminhos; tem de ser o da humildade e da miseric\u00f3rdia, o \u00fanico que todos podem realizar. Por isso a promessa de Isa\u00edas floresce em Pentecostes: muitas l\u00ednguas, um s\u00f3 Esp\u00edrito; muitos povos, um s\u00f3 Nome. A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 precisamente servir a este milagre e abrir caminhos em que a estreiteza do Evangelho se torne possibilidade para todos, em todas as culturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus, por\u00e9m, adverte contra a ilus\u00e3o da proximidade sem convers\u00e3o. H\u00e1 quem diga: \u201cComemos e bebemos contigo\u201d, e ou\u00e7a: \u201cN\u00e3o vos conhe\u00e7o\u201d (cf. Lc 13,26\u201327). N\u00e3o basta grifar as coisas de Deus. \u00c9 preciso deixar-se reconhecer por Ele. Assim se entende a \u201cporta estreita\u201d. N\u00e3o \u00e9 um funil. \u00c9 o contorno da caridade concreta. O banquete do Reino \u2014 \u201cvir\u00e3o do oriente e do ocidente, do norte e do sul\u201d (Lc 13,29), tem mesas largas e uma entrada estreita. Largas, porque Deus quer a todos; estreita, porque s\u00f3 o amor entra. O que exclui n\u00e3o \u00e9 a quantidade dos que chegam, mas a recusa de amar como Ele ama.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m, por isso, a pergunta de Lucas e a promessa de Isa\u00edas se iluminam mutuamente. Se Deus conhece \u201cobras e pensamentos\u201d, a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se decide por perten\u00e7as herdadas, mas por uma verdade vivida. E, se Ele mesmo \u201cvir\u00e1 para reunir\u201d, a esperan\u00e7a concretiza-se.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s n\u00e3o estamos diante de um juiz que calcula, mas de um Pai que busca, insiste, corre, chama pelo nome. O risco, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a escassez do convite, e sim a dureza que o recusa; n\u00e3o o pouco de Deus, mas o pouco que nos dispomos a perder para entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pastoralmente, isso nos salva de dois extremos. De um lado, o rigorismo triste, que transforma a \u201cporta estreita\u201d em senha de poucos e esquece que o Pai quer a <strong>todos<\/strong> (cf. 1Tm 2,4). De outro, o laxismo vazio, que fala de \u201ctodos\u201d e dilui a porta at\u00e9 ela n\u00e3o significar mais nada. O Evangelho mant\u00e9m juntos o horizonte onde<strong> todos<\/strong> s\u00e3o chamados e <strong>cada um<\/strong><strong> <\/strong>\u00e9 convidado a passar por Cristo. Perd\u00e3o recebido, perd\u00e3o oferecido; verdade acolhida, verdade praticada; miseric\u00f3rdia implorada, miseric\u00f3rdia exercida. Onde isso acontece, a estat\u00edstica perde import\u00e2ncia. O Reino cresce na medida da convers\u00e3o, e a convers\u00e3o abre espa\u00e7o para outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a melhor resposta \u00e0 pergunta se \u201cs\u00e3o poucos\u201d seja outra pergunta, que Jesus nos faz: voc\u00ea quer entrar? A salva\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, deixa de ser um tema para discuss\u00e3o e se torna um hoje para se trabalhar. Esse hoje tem o rosto da porta estreita e o som de muitas l\u00ednguas. Quando consentimos nessa forma, quando deixamos cair o peso do orgulho, da mentira, da indiferen\u00e7a, a promessa de Isa\u00edas come\u00e7a a cumprir-se. Gente diversa, palavras diferentes, um louvor s\u00f3. A \u201cestreiteza\u201d do amor n\u00e3o \u00e9 limite, mas concentra\u00e7\u00e3o no que importa. Por isso cabe todo mundo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) A tens\u00e3o \u00e9 real e pedag\u00f3gica. Jesus escuta a pergunta num\u00e9rica e, em vez de oferecer estat\u00edstica, converte-a em caminho dizendo: \u201cEsfor\u00e7ai-vos por entrar pela porta estreita\u201d (Lc 13,24). 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