{"id":18533,"date":"2025-08-09T11:34:25","date_gmt":"2025-08-09T14:34:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18533"},"modified":"2025-10-06T08:26:38","modified_gmt":"2025-10-06T11:26:38","slug":"certissima-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/08\/09\/certissima-esperanca\/","title":{"rendered":"Cert\u00edssima Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No vasto cen\u00e1rio de <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em>, a esperan\u00e7a n\u00e3o se apresenta como um estandarte triunfante, mas como uma chama pequena que resiste ao vento. H\u00e1 momentos em que parece quase se extinguir nas brumas de Mordor; ainda assim, permanece, silenciosa, firme, quase t\u00edmida, mas invenc\u00edvel. Galadriel, com sua voz de luz, recorda: \u201cMesmo a menor pessoa pode mudar o curso do futuro\u201d. \u00c9 como se dissesse que a for\u00e7a verdadeira n\u00e3o se mede pela l\u00e2mina da espada, mas pela coragem de seguir caminhando quando o caminho parece sem sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Escritura, essa l\u00f3gica encontra eco no livro da Sabedoria (18,6-9), onde a esperan\u00e7a nasce numa noite em que Israel se v\u00ea cercado pelo poder do Egito. \u00c9 noite de opress\u00e3o, mas tamb\u00e9m de promessa. O povo n\u00e3o \u00e9 chamado a se armar, mas a confiar. E \u00e9 essa confian\u00e7a que o conduz \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus, no Evangelho (Lc 12,32-48), retoma essa mesma perspectiva, ao dizer: \u201cN\u00e3o tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a v\u00f3s o Reino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 palavra de consolo, mas um decreto silencioso de vit\u00f3ria. O Reino n\u00e3o \u00e9 um projeto que se constr\u00f3i pela for\u00e7a humana, mas dom irrevog\u00e1vel que brota da generosidade de Deus. Por isso, a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 fragilidade exposta ao vento. Ela tem raiz cravada na terra f\u00e9rtil da promessa divina.<\/p>\n\n\n\n<p>A vigil\u00e2ncia do disc\u00edpulo n\u00e3o nasce do receio de perder algo, mas da alegria de quem espera algu\u00e9m. Vigiar, no Evangelho, n\u00e3o \u00e9 esperar com ansiedade. \u00c9, bem mais transformar o tempo da demora em tempo fecundo, tecido de fidelidade e amor. Quem ama, espera, e espera com alegria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os grandes mestres da f\u00e9 entenderam esse mist\u00e9rio. Santo Agostinho escreveu que \u201cesperar \u00e9 j\u00e1 amar\u201d (<em>Enarrationes in Psalmos<\/em>), como quem afirma que a esperan\u00e7a \u00e9 um amor lan\u00e7ado para o amanh\u00e3. Tom\u00e1s a descreve como \u201ctens\u00e3o firme por um bem futuro, dif\u00edcil, mas poss\u00edvel com a ajuda de Deus\u201d (<em>Suma Teol\u00f3gica<\/em>, II-II, q.17). E Bento XVI, em <em>Spe Salvi<\/em>, proclama: \u201cQuem tem esperan\u00e7a vive de modo diferente; foi-lhe dada uma vida nova\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na caminhada de Frodo rumo \u00e0 Montanha da Perdi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o vigor f\u00edsico que o sustenta! \u00c9 uma luz que o guia. E, embora pequena, essa luz \u00e9 maior que a grande sombra.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim tamb\u00e9m vive o cat\u00f3lico. De um lado, guardamos a mem\u00f3ria da liberta\u00e7\u00e3o j\u00e1 recebida; de outro, contemplamos a promessa de um encontro ainda por vir. A esperan\u00e7a \u00e9 mais forte que a morte porque se apoia naquele que j\u00e1 venceu a morte. \u00c9 mais que otimismo humano, \u00e9 certeza nascida da fidelidade divina. \u00c9 for\u00e7a que atravessa gera\u00e7\u00f5es, sustenta os pobres, renova a Igreja e abre caminhos onde antes s\u00f3 havia muros.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a Palavra ressoa clara: \u201cN\u00e3o tenhais medo\u201d! A esperan\u00e7a n\u00e3o se apaga porque Deus n\u00e3o se retrata. \u00c9 ela, e n\u00e3o a for\u00e7a bruta, que carrega o mundo nos ombros. \u00c9 a virtude que ousa esperar quando tudo parece perdido, porque sabe que o Senhor vem. E, quando Ele vier, ser\u00e1 como a aurora que rompe a noite mais longa do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) No vasto cen\u00e1rio de O Senhor dos An\u00e9is, a esperan\u00e7a n\u00e3o se apresenta como um estandarte triunfante, mas como uma chama pequena que resiste ao vento. 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