{"id":18520,"date":"2025-08-05T11:48:59","date_gmt":"2025-08-05T14:48:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18520"},"modified":"2025-10-06T08:26:34","modified_gmt":"2025-10-06T11:26:34","slug":"chamados-para-servir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/08\/05\/chamados-para-servir\/","title":{"rendered":"Chamados para servir"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O sacerd\u00f3cio que Cristo inaugurou, e que celebramos hoje, \u00e9 absolutamente novo. Ele rompeu com a l\u00f3gica ritual do Antigo Testamento e com o modelo sacerdotal centrado no poder cultual, na distin\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica e na repeti\u00e7\u00e3o infind\u00e1vel de sacrif\u00edcios. N\u00e3o desprezou a heran\u00e7a religiosa de Israel, mas a levou \u00e0 plenitude. Jesus n\u00e3o se apresentou como mais um entre os sacerdotes da linhagem de Aar\u00e3o, mas como Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec. Um sacerd\u00f3cio que n\u00e3o se apoia na heran\u00e7a carnal, mas na fidelidade ao Pai e na entrega generosa da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00daltima Ceia, Ele n\u00e3o ungiu com \u00f3leo, mas com sua pr\u00f3pria carne e sangue, instituindo um sacerd\u00f3cio de comunh\u00e3o, n\u00e3o de privil\u00e9gio; de servi\u00e7o, n\u00e3o de prest\u00edgio. \u201cChamados para servir\u201d \u00e9 o selo do novo minist\u00e9rio. Aquele que lavou os p\u00e9s dos disc\u00edpulos, enquanto os sacerdotes do Templo lavavam as m\u00e3os antes de oferecer sacrif\u00edcios, fundou um sacerd\u00f3cio no ch\u00e3o da vida, pr\u00f3ximo, vulner\u00e1vel, humano. O gesto de Jesus inverte a tradi\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o \u00e9 o povo que serve ao sacerdote no Templo, mas o sacerdote que se curva para servir o povo de Deus no mundo, com ternura e compaix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura antiga havia se endurecido e transmutada em purifica\u00e7\u00f5es e distin\u00e7\u00f5es ritualistas. Jesus, ao contr\u00e1rio, fez do servi\u00e7o o crit\u00e9rio do Reino. No novo sacerd\u00f3cio, n\u00e3o h\u00e1 lugar para a sede de dom\u00ednio, nem para a centralidade do eu. \u201cEntre v\u00f3s, n\u00e3o seja assim; quem quiser ser o maior, no meio de v\u00f3s, seja o servo de todos\u201d (Mt 20,26). Ele ensina que o altar \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, e o verdadeiro culto \u00e9 amar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o minist\u00e9rio sacerdotal crist\u00e3o n\u00e3o pode ser confundido com uma profiss\u00e3o comum. N\u00e3o \u00e9 carreira, n\u00e3o \u00e9 of\u00edcio regulado por normas externas, n\u00e3o \u00e9 instrumento de promo\u00e7\u00e3o pessoal. \u00c9 voca\u00e7\u00e3o que consome, que exige totalidade, que realiza na medida em que se doa. Nele, o centro n\u00e3o est\u00e1 na fun\u00e7\u00e3o, mas na configura\u00e7\u00e3o a Cristo Servo. E aqui est\u00e1 o paradoxo sublime: o servi\u00e7o que o mundo considera cansativo, no sacerd\u00f3cio de Cristo \u00e9 fonte de cura. A entrega n\u00e3o deve adoecer, nem a fidelidade esgotar, mas, juntas, devem santificar e plenificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem vive sua voca\u00e7\u00e3o como servi\u00e7o se torna saud\u00e1vel no corpo, emocionalmente e espiritualmente. Uma inteireza que nasce da resposta dada com liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A doen\u00e7a surge quando se perde o centro, quando se transforma o servi\u00e7o em poder, a compaix\u00e3o em vaidade, a miss\u00e3o em ambi\u00e7\u00e3o. Mas, quando permanece fiel ao esp\u00edrito do Evangelho, o sacerdote n\u00e3o se corrompe, n\u00e3o se cansa em v\u00e3o, pois o fogo que o queima \u00e9 o mesmo que o ilumina.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 aqui que se revela a distin\u00e7\u00e3o decisiva entre o bom pastor e o mau pastor. Jesus mesmo a tra\u00e7ou com clareza. O bom pastor d\u00e1 a vida por suas ovelhas; o mau pastor, o mercen\u00e1rio, abandona o rebanho quando v\u00ea o lobo chegar (Jo 10,11-13). O bom pastor conhece suas ovelhas pelo nome, caminha com elas, sofre com elas, alegra-se com elas. N\u00e3o se serve das ovelhas, serve-as. J\u00e1 o mau pastor n\u00e3o pastoreia, explora; n\u00e3o orienta, manipula; n\u00e3o carrega nos ombros a ovelha ferida, mas a despreza.<\/p>\n\n\n\n<p>A fidelidade ao sacerd\u00f3cio novo de Cristo exige, portanto, a cont\u00ednua convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, para que cada sacerdote seja, de fato, bom pastor. Chamados para servir \u00e9 o ju\u00edzo permanente sobre a nossa voca\u00e7\u00e3o. O que nos mede n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero de seguidores, nem os aplausos ou reconhecimento humano, mas a capacidade de morrer diariamente pelo rebanho confiado. Esse \u00e9 o crit\u00e9rio de autenticidade do minist\u00e9rio. Ser chamado \u00e9 gra\u00e7a; servir \u00e9 resposta. E a resposta que vale \u00e9 aquela que se escreve com a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) O sacerd\u00f3cio que Cristo inaugurou, e que celebramos hoje, \u00e9 absolutamente novo. Ele rompeu com a l\u00f3gica ritual do Antigo Testamento e com o modelo sacerdotal centrado no poder cultual, na distin\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica e na repeti\u00e7\u00e3o infind\u00e1vel de sacrif\u00edcios. 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