{"id":18422,"date":"2025-04-22T11:29:47","date_gmt":"2025-04-22T14:29:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18422"},"modified":"2025-06-04T09:42:28","modified_gmt":"2025-06-04T12:42:28","slug":"o-amor-corre-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/04\/22\/o-amor-corre-mais\/","title":{"rendered":"O amor corre mais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<\/strong><br><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>O amor pode tudo<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Logo de manh\u00e3, no primeiro dia da semana, Maria Madalena correu at\u00e9 o t\u00famulo e foi verificar a situa\u00e7\u00e3o de Jesus. Aquele mesmo que pouco antes tinha sido crucificado (Jo 20,1).<\/p>\n\n\n\n<p>A morte, como na maioria dos casos, deveria ser a palavra final. Depois da morte sobra apenas a possibilidade de chorar, sentir saudades e se acalentar no ombro dos que ainda vivem.<\/p>\n\n\n\n<p>A morte \u00e9 a \u00faltima palavra por excel\u00eancia. Um termo definitivo da exist\u00eancia e dos afetos. Diante dela a f\u00e9 sente um titubear que vai progredindo at\u00e9 produzir um estado de \u00eaxtase e de acomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 confronta-se com as experi\u00eancias, ainda sem exce\u00e7\u00e3o, que da morte ningu\u00e9m volta. Os disc\u00edpulos foram para casa. Estavam apavorados. Este pavor nascia da perplexidade de uma promessa n\u00e3o cumprida, de uma palavra falida ante o inimigo comum da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na f\u00e9 os disc\u00edpulos viveram no seguimento de seu Senhor. Tamb\u00e9m na f\u00e9 deixaram suas casas e seguiram aquele que nem tinha onde repousar a cabe\u00e7a. A f\u00e9, portanto, era a marca daquela comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A cena do dia anterior, entretanto, culminava no contraste mais forte que media a dimens\u00e3o da f\u00e9. Por isso, no amanhecer daquele dia os disc\u00edpulos estavam dormindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dormir \u00e9 um modo de acalentar o fulgor da esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a insiste em continuar acreditando contra as observa\u00e7\u00f5es comuns. Quando se trata de algu\u00e9m que amamos a esperan\u00e7a chega a beirar o abismo, desafia o que \u00e9 natural, como morrer, e aprofunda ra\u00edzes em terrenos pouco consistentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dormir representa, em certas circunst\u00e2ncias, uma luta para n\u00e3o esperar mais nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo de manh\u00e3, Maria Madalena correu at\u00e9 o sepulcro. Ningu\u00e9m sabia. Ningu\u00e9m viu nem foi notificado desta proeza.<\/p>\n\n\n\n<p>O sair de Maria Madalena foi sutil, e deslizou por entre a descren\u00e7a que se instaurara entre os disc\u00edpulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da sanidade esta sutileza \u00e9 perfeitamente normal. \u00c9 como um louco que aprende a se controlar para negar as suas vis\u00f5es, muito embora elas lhe apare\u00e7am de cont\u00ednuo, e apare\u00e7am perfeitamente reais.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor, entretanto, n\u00e3o quer saber de nada disso. N\u00e3o toma conhecimento de nenhum limite! Mergulha na compreens\u00e3o de uma realidade que ningu\u00e9m mais v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo cedo Maria Madalena chegou ao sepulcro, <em>mas ele estava vazio<\/em>. Doravante as coisas se complicaram. Muitas quest\u00f5es surgiram porque o sepulcro estava vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado algumas quest\u00f5es tinham sido colocadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez os disc\u00edpulos come\u00e7aram a discutir quem era o maior no reino dos c\u00e9us. Se Jesus n\u00e3o interviesse esta dificuldade teria consumido a Igreja nascente e destru\u00eddo o sonho de um mundo novo.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra do Senhor foi conclusiva: o maior no reino dos c\u00e9us \u00e9 o menor entre v\u00f3s. Desde aquele a dia este discurso tornou se dominante, mesmo quando desentoa da pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra ocasi\u00e3o, eles discutiam se era l\u00edcito ou n\u00e3o ao homem abandonar a sua esposa. Esta confus\u00e3o teria produzido uma injusti\u00e7a infinita contra as mulheres, gerando a descredibilidade total da Igreja \u00e0 medida que a consci\u00eancia e o esp\u00edrito de liberdade crescessem nas pessoas. Mas o Mestre ainda estava presente, legislou contra qualquer tentativa de se prolongar esta injusti\u00e7a. Sim\u00e3o Pedro exclamou no final: ent\u00e3o a que vale casar-se?<\/p>\n\n\n\n<p>Os assuntos decididos formaram o projeto salv\u00edfico da Igreja, mas outras quest\u00f5es se abririam quando da morte de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ainda na presen\u00e7a de Jesus era dif\u00edcil acreditar em algumas revela\u00e7\u00f5es, imagina-se a dificuldade que nasce das interpreta\u00e7\u00f5es posteriores. Outra vez, um jovem foi encontrar Jesus e os disc\u00edpulos e manifestou sua vontade de tamb\u00e9m se fazer disc\u00edpulo. Tudo indica que era um jovem bom, tinha f\u00e9 e era sincero. Ap\u00f3s um pequeno di\u00e1logo Jesus decidiu que ele deveria vender os seus bens, distribuir entre os pobres e segui-lo. O jovem esmoreceu-se e foi embora.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o seguinte complicou-se quando Jesus observou que era dif\u00edcil para um rico entrar no reino do c\u00e9u. Os disc\u00edpulos perguntaram, ent\u00e3o: quem poder\u00e1 se salvar? Mais uma vez Jesus resolveu facilmente a dificuldade dizendo: para os homens \u00e9 imposs\u00edvel, mas para Deus n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso acontecia e encontrava respostas em uma palavra que n\u00e3o podia ser contestada, porque estava na origem, era a g\u00eanese de uma nova proposta, era normativa e ao mesmo tempo tinha diante de si aquela universalidade concreta que somente em Jesus \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus era a norma vivente. Mas naquele dia de manh\u00e3 n\u00e3o estava mais l\u00e1. Quando Maria Madalena chegou, como mulher cujo amor havia suspeitado da morte o t\u00famulo estava vazio.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor foi a \u00faltima coisa que sobrou. A f\u00e9 desaparecera, mas o amor continuava operante, e chegou antes dos disc\u00edpulos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante que tenha sido uma mulher a chegar. Como toda mulher, Madalena tinha superado a descren\u00e7a, sem buscar nada para si. Somente o amor lhe era suficiente. Por isso chegou primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Amando como fez, n\u00e3o buscou nenhuma explica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tentou justificar nada, nem compreender com passagens desgastantes o que o amor lhe tinha revelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltou correndo e foi contar a Pedro e Jo\u00e3o o que tinha visto: retiraram o senhor do sepulcro e n\u00e3o sabemos onde o colocaram.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade o que Madalena falou. O sepulcro estava vazio e a esperan\u00e7a renasce em seu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um simples roubo, pois n\u00e3o sabiam onde ele estava.<\/p>\n\n\n\n<p>Os disc\u00edpulos correm, e o seu correr \u00e9 para o lugar antes ocupado pelo corpo. N\u00e3o \u00e9 o roubo que interessa, mas a constata\u00e7\u00e3o de que o corpo n\u00e3o estava l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um momento crucial na hist\u00f3ria do cristianismo. Um cristianismo cuja norma vivente n\u00e3o estava mais l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Madalena n\u00e3o teve outra escolha. Tudo o que poderia fazer era resultado de suas observa\u00e7\u00f5es, de sua experi\u00eancia apost\u00f3lica, de como Jesus havia depositado em Sim\u00e3o Pedro uma confian\u00e7a especial em respeito \u00e0quilo que viria, por isso, correu at\u00e9 Pedro e lhe disse: o sepulcro est\u00e1 vazio o que devemos pensar? Jesus ressuscitou como disse ou seu corpo foi roubado?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Os dois corriam juntos<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Foi dada a partida. Os disc\u00edpulos dispararam pelos caminhos de Jerusal\u00e9m. As ruas eram tortuosas e os empecilhos eram muitos, pois o povo j\u00e1 estava desperto. As feiras come\u00e7avam a funcionar. Mesmo correndo demoraria algum tempo at\u00e9 chegar ao sepulcro, localizado fora da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 voltara a encontrar uma luminosidade. Os disc\u00edpulos corriam sem se chocarem. Desviavam dos m\u00faltiplos empecilhos <em>mas n\u00e3o se chocavam.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes Jo\u00e3o removia algumas barreiras para permitir a passagem de Pedro. Outras vezes, Pedro, que estava um pouco atr\u00e1s, alertava Jo\u00e3o para os perigos proveniente da imprevisibilidade de uma feira.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois corriam juntos. As vezes se entreolhavam cheios de admira\u00e7\u00e3o um pelo outro. \u00c0s vezes se afastavam momentaneamente para seguirem os caminhos escolhidos, e novamente voltavam a se encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro correu. Correu tanto quanto pode. E pensava que se Jesus continuasse no sepulcro, e seu desaparecimento fosse uma ilus\u00e3o de Madalena, ent\u00e3o n\u00e3o era mais necess\u00e1rio voltar para Jerusal\u00e9m. Ningu\u00e9m nunca mais veria Sim\u00e3o Pedro. Pensando deste modo Pedro continuava. O f\u00f4lego come\u00e7ava a acabar e a f\u00e9 ia se dissipando \u00e0 medida que se aproximava do destino.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro come\u00e7ou a se sentir como algu\u00e9m que acorda no meio da noite. O sepulcro vazio concordava com tudo que Jesus falara. Mas, com o passar do tempo, e \u00e0 medida que o sol nascia esta id\u00e9ia n\u00e3o parecia tanto convincente. O clarear do dia destr\u00f3i as boas id\u00e9ias da noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro come\u00e7ou a esmorecer. Aquele amanhecer era o amanhecer de um dia solit\u00e1rio. O primeiro de muitos que se seguiriam.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma parte o sacrif\u00edcio de Jesus, de outra o seu pr\u00f3prio sacrif\u00edcio. A vida transcorrida \u00e0 luz de uma ideia. Esta ideia levou Judas ao desespero por n\u00e3o a ver realizada. Agora estava fazendo a mesmo com Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>O amanhecer daquele dia foi o mais terr\u00edvel!<\/p>\n\n\n\n<p>Agora uma nova chama se acendia. Maria Madalena trouxera uma not\u00edcia interessante: o sepulcro estava vazio. Mas quem era Maria Madalena? Seu amor por Jesus n\u00e3o teria causado uma disson\u00e2ncia cognitiva? Esta alucina\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia pesar demasiadamente sobre a vida dos demais disc\u00edpulos, caso n\u00e3o se comprovasse? Por isso Pedro e Jo\u00e3o sa\u00edram quietinhos para verificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora j\u00e1 era suficiente. Pedro n\u00e3o poderia continuar se arriscando deste modo, era preciso desviar o caminho e seguir em outra dire\u00e7\u00e3o. Enquanto pensava suas pernas come\u00e7aram a tremer. A aus\u00eancia de respostas atormentava-lhe o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguma coisa entrou em crise enquanto Pedro corria. N\u00e3o entendia como algu\u00e9m pudesse n\u00e3o morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo at\u00e9 agora tinha apontado para este caminho. A morte \u00e9 o pre\u00e7o comum da humanidade. Isso n\u00e3o tem nada a ver com a f\u00e9, dizia Pedro. O mestre foi grande. Isso \u00e9 suficiente pelos anos que passei como seu disc\u00edpulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro se lembrou do discurso da montanha. Como lhe agradara relembrar aquelas palavras. Era a consuma\u00e7\u00e3o de um sonho de tudo o que era mais humano. Uma humanidade feliz. O que mais agradou a Pedro foi a senten\u00e7a de Jesus que dizia: bem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us. Era s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo. A morte do justo n\u00e3o passaria em v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro decidiu dedicar o resto de suas for\u00e7as para provar que Jesus estava certo. N\u00e3o era criminoso, nem havia profanado a doutrina dos judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 isso, pensou ele. \u00c9 totalmente poss\u00edvel demonstrar que as sagradas escrituras n\u00e3o falam outra coisa, al\u00e9m de Jesus. O erro n\u00e3o foi nosso, foi deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas palavras, as bem-aventuran\u00e7as se realizariam. Sua fome e sede de justi\u00e7a lhe valeriam o reino dos c\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a morte n\u00e3o! Dela ningu\u00e9m escapa. Por um breve instante Pedro pensou: \u00e9 bom que n\u00e3o escape. As pessoas devem morrer, e come\u00e7ou a repetir: \u00e9 bom morrer, \u00e9 bom morrer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A morte do Mestre abriu um precip\u00edcio em seu cora\u00e7\u00e3o, e foi bom que isso acontecesse. No cora\u00e7\u00e3o humano n\u00e3o tem lugar para precip\u00edcios. Tudo nele \u00e9 cont\u00ednuo. Na esperan\u00e7a ele espera o que ainda n\u00e3o existe. Na f\u00e9 ele enxerga onde nenhum olho ainda penetrou. Nele tudo \u00e9 cont\u00ednuo. \u00c9 o seguimento do destino. Seu destino \u00e9 pensar tudo como unidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No cora\u00e7\u00e3o nada \u00e9 incompleto. A vida s\u00f3 \u00e9 vivida na completude de sentidos. As lacunas s\u00e3o preenchidas por verdades pouco evidentes, mas que moram exatamente no cora\u00e7\u00e3o humano. Na crise uma lacuna sempre \u00e9 preenchida.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro ent\u00e3o decidiu, \u00e9 tempo de parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, por\u00e9m, levantou o olhar um pouco para frente e avistou Jo\u00e3o correndo de modo bastante regular. Suas for\u00e7as pareciam perfeitamente conservadas. Os desvios que Pedro havia feito foram ignorados por Jo\u00e3o. Seu caminho tinha sido direto. Era esta a sua vantagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a n\u00e3o era o vigor, era o correr direto em uma dire\u00e7\u00e3o, ultrapassando e saltando todos os infort\u00fanios do caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro olhou no rosto de Jo\u00e3o e esperava uma acusa\u00e7\u00e3o pelo modo como estava pensando, e porque da\u00ed a pouco iria parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o! Naquele rosto n\u00e3o tinha nem juiz nem acusado, nem sinal de resigna\u00e7\u00e3o, nem vaidade. Tinha apenas um cora\u00e7\u00e3o suave.<\/p>\n\n\n\n<p>O rosto de Jo\u00e3o era de um homem que tinha se esquecido de si mesmo, esquecido da vida dura durante os anos do discipulado e dos sofrimentos de Jesus que ele presenciou em primeira pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Era surpreendente!<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu rosto n\u00e3o se expressava nenhuma pergunta, e ningu\u00e9m poderia impedi-lo de percorrer aquele caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro continuou olhando e se espantou. Teve vontade de peg\u00e1-lo pelo bra\u00e7o e conduzi-lo para casa. Mas o fasc\u00ednio daquele rosto ia tomando outra forma, a ponto de confundir a Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>O fasc\u00ednio do amor resplandecia mais. Seu fasc\u00ednio maior \u00e9 dar esta continuidade ao cora\u00e7\u00e3o. E era ela que resplandecia no rosto de Jo\u00e3o. Era um espet\u00e1culo sublime, cheio de virtudes.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o existia uma divis\u00e3o entre o amor e a institui\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a sublimidade dos espet\u00e1culos: nenhum dos dois era consciente das diferen\u00e7as que lhes impeliam a correrem juntos. Um estava sobre o olhar do outro, mas n\u00e3o se viam; viam somente uma grande luz resplandecente que saia do sepulcro.<\/p>\n\n\n\n<p>O olhar de Pedro no rosto de Jo\u00e3o esclareceu um percurso, at\u00e9 ent\u00e3o tumultuado. Bastou o olhar. Sem uma palavra. Sem nenhuma explica\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o corria e se denunciava quanto \u00e0 falta de sanidade. Um jovem que n\u00e3o acreditava na morte, cujo rosto tornou-se irresist\u00edvel para Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente Pedro n\u00e3o sentia mais vontade de par\u00e1-lo. Seu cora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se encheu de esperan\u00e7a e olhou mais uma vez na dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o. N\u00e3o ouviu nenhuma voz, mas uma coisa divina parecia quebrar a resist\u00eancia das dist\u00e2ncias. N\u00e3o se sabia quem ia retirando os empecilhos do seu caminho, entretanto, isso estava acontecendo. O amor que sempre abre a porta para todos quando precisa encontrar\u00e1 algu\u00e9m que lhe abrir\u00e1 a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o Pedro continuou correndo. Queria chegar l\u00e1 tamb\u00e9m. Enquanto continuava correndo pensava no an\u00fancio de Maria Madalena: o sepulcro est\u00e1 vazio. A sua consci\u00eancia foi lhe dizendo que tudo aquilo deveria ter uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento de Pedro come\u00e7ou a examinar o seu discipulado e ele se recordou que um dia tinha subido \u00e0 montanha com Jesus, e l\u00e1 ouviu uma palavra significativa, na qual uma voz ecoava de sobre as nuvens dizendo: este \u00e9 meu filho bem-amado.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele pensamento fez Pedro procurar no todo dos tr\u00eas anos do seu seguimento uma explica\u00e7\u00e3o, afinal, ele foi o primeiro a ser chamado. Estava presente desde o in\u00edcio e conhecia todos os pormenores daquele an\u00fancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida lembrou-se de outro fato. Ele mesmo tinha confessado, uma vez, quando Jesus come\u00e7ou a interrog\u00e1-los quem ele era. Lembrou de sua interven\u00e7\u00e3o como uma profiss\u00e3o de f\u00e9. Alegrou-se imensamente por ter dito que, embora todas digam, que tu \u00e9s um profeta, outros, que \u00e9s Jo\u00e3o Batista, eu, por\u00e9m, digo que tu \u00e9s o Cristo o Filho de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>A ternura come\u00e7ou a preencher o corpo cansado, pois fazia muito tempo que estava correndo. Foi doce a recorda\u00e7\u00e3o de como o rosto de Jesus se virou em sua dire\u00e7\u00e3o e lhe disse: tu \u00e9s Pedro e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o! Aquela corrida n\u00e3o poderia ser em v\u00e3o. Tinha um significado. Ultrapassava as experi\u00eancias. Jo\u00e3o era a prova viva. Correndo daquele jeito n\u00e3o poderia haver dissimula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro, ent\u00e3o, decidiu assumir a responsabilidade. Sim! Foi sobre ele que Jesus prometeu edificar a sua Igreja. A not\u00edcia de Madalena era desnorteante: \u201cretiraram o senhor do sepulcro e n\u00e3o sabemos onde o colocaram\u201d, mas n\u00e3o era o fim. Pedro tomou consci\u00eancia que deveria recorrer \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e interpretar, autenticamente os acontecimentos recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua primeira disposi\u00e7\u00e3o, ainda ofegante, pois continuava correndo, transportou-lhe para as diversas palavras do mestre. E ele, Pedro, juntamente com os disc\u00edpulos mais pr\u00f3ximos, eram os \u00fanicos a se recordarem de detalhes que n\u00e3o foram narrados \u00e0 grande multid\u00e3o. Pois, em segredo o senhor lhes explicava detalhadamente muitas outras coisas. Naquele ofegar as coisas come\u00e7avam a se esclarecerem e Pedro acreditou que o corpo de Jesus n\u00e3o havia sido roubado. Ele ressuscitou como dissera v\u00e1rias vezes antes.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se percebeu de novo estava correndo mais. Ia disparado explicar a Jo\u00e3o o acontecido, ajud\u00e1-lo a compreender tudo que estava se passando.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>O disc\u00edpulo que Jesus amava correu mais<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o, desde o in\u00edcio, saiu na frente. Corria mais r\u00e1pido que Pedro, e o seu olhar estava fixo na dire\u00e7\u00e3o do sepulcro. \u00c0s vezes olhava atr\u00e1s por um breve instante, mas somente para se certificar que Pedro ainda estivesse l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia anterior tinha sido estranho. As prova\u00e7\u00f5es chegaram ao seu estado mais alarmante. Tudo o que existia de belo e de bom parecia estar se corrompendo na experi\u00eancia da morte. Jo\u00e3o encheu os olhos de l\u00e1grimas. Entretanto, estas n\u00e3o eram l\u00e1grimas de desespero, eram l\u00e1grimas de como\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sentimento profundo estava lhe alertando que o momento definitivo havia chegado. O sonho da humanidade recolhido no fato de que Jesus n\u00e3o estava mais no sepulcro fez disparar o cora\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora Jo\u00e3o se sentiu como um indiv\u00edduo estranho. Perdeu o equil\u00edbrio sobre a terra. Sentiu a necessidade de saltar. Naquele momento saltar era para ele uma necessidade. Estar de cont\u00ednuo no ar era a \u00fanica chance de superar o desequil\u00edbrio produzido pela for\u00e7a da in\u00e9rcia dos desvairados desejos e das perturba\u00e7\u00f5es da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A estranheza \u00e9 a marca profunda do amor, e, por vezes, o abandono por aquilo que parece ser a \u00faltima palavra, sua caracter\u00edstica principal.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 era demais! Jo\u00e3o n\u00e3o suportava mais o tempo que ainda faltava para verificar as palavras de Madalena. A transfigura\u00e7\u00e3o ocorrida naquela noite o impulsionou para uma decis\u00e3o definitiva que o transportou para fora deste mundo, sem conquistar nenhuma certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o come\u00e7ou a correr mais r\u00e1pido. Correu tanto o quanto pode, e aqueles que o viram correndo pensaram que ele n\u00e3o retornaria mais, e ele n\u00e3o retornou.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto corria Jo\u00e3o ouvia seu cora\u00e7\u00e3o pulsar. Momentos raros quando se \u00e9 todo cora\u00e7\u00e3o. Envolto por uma \u00e1urea nova, desaparecendo numa outra realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o pensava que n\u00e3o era dali nem de l\u00e1 \u2013 n\u00e3o era de lugar nenhum \u2013 estava s\u00f3, e assim deveria continuar.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente descobriu-se saltador. Era crian\u00e7a e estava destinado a permanecer infinitamente neste estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto acelerava o passo Jo\u00e3o pode sentir-se \u2013 pela primeira vez se sentia \u2013 nenhuma dor cutucava, nenhum ressentimento, nenhum desespero.<\/p>\n\n\n\n<p>O seu correr era mudo; n\u00e3o tinha o desejo de ensinar nada para ningu\u00e9m, totalmente mudo. Nem mesmo Jo\u00e3o poderia aprender alguma coisa de sua corrida. Acelerou mais ainda, e sentiu que estava deixando a terra. A respira\u00e7\u00e3o compassada fez desaparecer a resist\u00eancia. A velocidade alcan\u00e7ada era incr\u00edvel. Foi um ponto de vista visto de muito alto, e ent\u00e3o se verificou o milagre: Jo\u00e3o voou.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma jun\u00e7\u00e3o perfeita entre a mat\u00e9ria e o esp\u00edrito que se esqueceu do passado sem projetar nada para o futuro. Seus \u00faltimos pensamentos, antes de retornar \u00e0 terra, foram da mais pura esperan\u00e7a que existe: \u00e9 preciso chegar antes, pois o Senhor pode se cansar de esperar.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor vai provocando estas formas de beleza estranha. Originando outro tipo de f\u00e9. Daquele tipo que n\u00e3o d\u00favida de nada. A principal express\u00e3o do amor \u00e9 a difus\u00e3o. Ele corre por toda parte e se mete em tudo. Sua estrutura \u00e9 caracter\u00edstica, \u00e9 como coisas que n\u00e3o se cont\u00e9m em lugar nenhum.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor n\u00e3o repousa. N\u00e3o tem nenhum lugar natural. \u00c9 sempre novo, e cada vez que volta produz um efeito diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Este aspecto confunde as pessoas, sempre t\u00e3o acostumadas a repeti\u00e7\u00e3o do igual e da seguran\u00e7a. No amor n\u00e3o! Nada \u00e9 seguro! Sua inseguran\u00e7a \u00e9 na verdade sua \u00fanica seguran\u00e7a. Sua for\u00e7a consiste em n\u00e3o resistir. Por isso ele sempre corre mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora era Jo\u00e3o quem pensava. Estava parafraseando o mestre e, sem saber, o imitava. Come\u00e7ava a dizer palavras belas e acreditar para al\u00e9m de toda esperan\u00e7a. A caracter\u00edstica principal do amor n\u00e3o \u00e9 apenas dizer coisas bonitas, mas fazer com que todos aqueles que s\u00e3o tocados tamb\u00e9m as digam.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pensamentos de Jo\u00e3o eram como suas palavras, flu\u00edam de dentro das experi\u00eancias passadas e se lembrou comovido de uma vez que Filipe duvidou. Recomp\u00f4s a hist\u00f3ria de outra afli\u00e7\u00e3o, num dia que Jesus subiu ao monte para rezar e uma grande multid\u00e3o o seguiu. A noite ca\u00eda e o povo n\u00e3o tinha nada para comer e voltar para a cidade era perigoso, pois j\u00e1 fazia muito tempo que n\u00e3o comiam.<\/p>\n\n\n\n<p>O temor de Filipe se concretizou na afirma\u00e7\u00e3o que nem todo o dinheiro dali seria suficiente para alimentar aquele povo. Andr\u00e9 resolveu arriscar, e no meio da multid\u00e3o encontrou um garoto com cinco p\u00e3es e dois peixes, mas em seguida concluiu: o que \u00e9 isso para tanta gente?<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando assim, Jo\u00e3o quase parou. O amor, entretanto, n\u00e3o pode parar. Mesmo no seu estado de repouso \u00e9 ainda o mais veloz dos movimentos. Poderia correr e pensar, e assim o fez. Jesus n\u00e3o considerou nenhuma ordem natural. Multiplicou os p\u00e3es e os peixes e distribuiu entre a multid\u00e3o. Todos comeram e ainda sobraram v\u00e1rios cestos.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu Deus, pensava ele agora. Que afli\u00e7\u00e3o? Tudo tinha passado. O amor n\u00e3o tem medida; \u00e9 difusivo e vai aonde quer, faz o que quer e \u00e9 perfeitamente justific\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor pertence a mais antiga das tradi\u00e7\u00f5es. \u00c9 o sentimento mais antigo e mais terr\u00edvel. \u00c9 como Deus, terr\u00edvel em n\u00e3o julgar, em se colocar de joelhos e mesmo assim ser indestrut\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus \u00e9 amor, pensava Jo\u00e3o mais uma vez. No passado Deus tamb\u00e9m j\u00e1 foi chamado de terr\u00edvel. Esta qualidade vale para Deus e para o amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma outra coisa terr\u00edvel: a lei. At\u00e9 ent\u00e3o ela sustentava tudo. O pr\u00f3prio mundo repousa sobre leis imut\u00e1veis que brotam do cora\u00e7\u00e3o de Deus. Sua chama mant\u00e9m de p\u00e9 a sociedade. Jo\u00e3o mesmo a havia experimentado. J\u00e1 tinha testemunhado um confronto decisivo. Uma atitude inusitada que colocou frente a frente a lei e o amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo aconteceu num dia quando Jesus, descendo do Monte das Oliveiras, resolveu ir at\u00e9 o templo, os fariseus e os escribas trouxeram uma mulher apanhada em adult\u00e9rio e lhe apresentaram dizendo: Mois\u00e9s, na lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?<\/p>\n\n\n\n<p>Sem dizer uma \u00fanica palavra, pois \u00e9 pr\u00f3prio do amor nunca se alterar, Jesus come\u00e7ou a escrever no ch\u00e3o. Aquele ato irritava profundamente os homens \u00e1vidos de decis\u00e3o e de julgamento. Por isso insistiram em indicar a coisa certa a fazer. A lei nos ordena o apedrejamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor n\u00e3o se dobra nem \u00e9 julgado por ningu\u00e9m. \u00c9 ele quem julga. D\u00e1 a din\u00e2mica e imprime o movimento sem dizer uma \u00fanica palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor ama os homens. Ele conserva uma cren\u00e7a eterna na humanidade sem se tornar ing\u00eanuo.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguma coisa nele se nega a julgar quem quer que seja. E em nenhuma circunst\u00e2ncia exprime um ju\u00edzo de condena\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que o amor parece admitir tudo, se compadece com tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor, pensava Jo\u00e3o, nunca se espanta nem se assusta. O amor vive de modo a n\u00e3o poder ser surpreendido.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando n\u00e3o consegue mais suportar o horror, o amor simplesmente se afasta, um afastar inocente. Sem desprezo ou julgamento a quem quer que seja.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele dia ele n\u00e3o olhou para ningu\u00e9m. Permaneceu im\u00f3vel e na sua imobilidade agitava os cora\u00e7\u00f5es. O amor escrevia enquanto estava im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O amor <em>chegou primeiro<\/em> ao sepulcro<em> mas n\u00e3o entrou<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><em>O amor \u00e9 paciente, o amor \u00e9 prestativo; n\u00e3o \u00e9 invejoso, n\u00e3o se ostenta, n\u00e3o se incha de orgulho. Nada diz de inconveniente n\u00e3o procura seu pr\u00f3prio interesse, n\u00e3o se irrita, n\u00e3o guarda rancor<\/em> (Cor 13,4).<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo descreveria mais tarde essas caracter\u00edsticas do amor. Cada palavra se enquadra na disposi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o. N\u00e3o se chega primeiro para ser o primeiro, mas\u00a0para permitir que outro lhe passe a frente e receba dos mesmos dons; participe primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, entrou tamb\u00e9m o amor, que chegara primeiro ao sepulcro: e <em>viu<\/em> e <em>creu<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O carisma \u00e9 a for\u00e7a do amor que empurra para frente a Igreja. Anuncia que Cristo est\u00e1 presente, e a imin\u00eancia de volta j\u00e1 esta caracterizada pela sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s. O Carisma corre como Maria Madalena e o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o amor deve ser compartilhado e oferecido primeiro, para ser amor. Os muitos movimentos e comunidades se encontram hoje, no estado tal, que, \u00e0s vezes, se chocam com a institui\u00e7\u00e3o. Reclama para si o direito de entrar primeiro, e, assim fazendo, esquece que o amor \u00e9 paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o \u00e9 o carisma, mas n\u00e3o teve d\u00favida em deixar Pedro entrar antes. Afinal, foi ele, a quem Jesus chamou primeiro; foi dele que Jesus disse: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Portanto, deveria ser Pedro a dizer se o Senhor, de fato, havia ressuscitado ou simplesmente desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu parecer foi reconhecido v\u00e1lido. As coisas sa\u00edram do campo da especula\u00e7\u00e3o e se tornaram verdades de f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 de Deus permanece, como j\u00e1 nos lembrou Gamaliel, o que n\u00e3o \u00e9 desaparece ou desaparecer\u00e1. \u00c9 preciso apostar no amor. As vezes parece dif\u00edcil, como dif\u00edcil foi a vida dos ap\u00f3stolos naquele primeiro momento. Os an\u00fancios subversivos do amor n\u00e3o se enquadram na explica\u00e7\u00e3o comum e fogem da l\u00f3gica quotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a n\u00f3s, contudo, devemos continuar apostando no amor. Os movimentos, as novas comunidades, os carismas diversos, est\u00e3o agora sendo testado pelo Esp\u00edrito Santo. \u00c9 preciso ouvir a voz do magist\u00e9rio ordin\u00e1rio na pessoa dos bispos e, sobretudo, do sumo pont\u00edfice, o Papa, que, como Pedro, det\u00e9m o poder de dividir as opini\u00f5es das verdades de f\u00e9. 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