{"id":18386,"date":"2025-04-15T10:44:07","date_gmt":"2025-04-15T13:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=18386"},"modified":"2025-06-04T09:42:55","modified_gmt":"2025-06-04T12:42:55","slug":"a-vida-ja-nao-e-absurda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2025\/04\/15\/a-vida-ja-nao-e-absurda\/","title":{"rendered":"A vida j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 absurda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Celebrar a Semana Santa \u00e9 atravessar o caminho passando pela dor, pelo sil\u00eancio, at\u00e9 chegar \u00e0 luz de um novo dia. \u00c9 lembrar que, no tempo presente, marcado por tanta viol\u00eancia e incerteza, a eternidade j\u00e1 tocou a hist\u00f3ria. E isso basta para despertar aquela esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona.<\/p>\n\n\n\n<p>A Semana Santa \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do tempo crist\u00e3o, onde o tempo humano e a eternidade divina se entrela\u00e7am num drama de amor radical. Em tr\u00eas dias, Deus revela como o amor que desce at\u00e9 o mais fundo da dor e da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Sexta-feira Santa, vemos a justi\u00e7a divina n\u00e3o como puni\u00e7\u00e3o, mas como fidelidade absoluta ao amor. Jesus, o inocente, assume o peso do pecado do mundo. Ele entra no tempo como um de n\u00f3s, experimentando a injusti\u00e7a, o abandono e a dor.<\/p>\n\n\n\n<p>O S\u00e1bado Santo \u00e9 o dia do sil\u00eancio, do vazio, da espera. O corpo de Cristo jaz no t\u00famulo e o mundo parece sem sentido. Mas \u00e9 desse abismo que Deus emerge, ap\u00f3s o sil\u00eancio. Deus se cala, mas n\u00e3o se ausenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na descida ao inferno, Cristo alcan\u00e7a os que estavam perdidos. O tempo humano para, mas a eternidade trabalha. \u00c9 o momento em que toda tristeza humana encontra eco no sil\u00eancio divino, e todo desespero encontra, sem saber, uma resposta no que est\u00e1 vindo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o, a alegria irrompe como transfigura\u00e7\u00e3o. O Cristo ressuscitado n\u00e3o apaga as chagas, mas as transforma em sinais de gl\u00f3ria. A eternidade entra no tempo, inaugurando uma nova cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A esperan\u00e7a nascida do realismo pascal sabe que o mundo continua cheio de cruzes, mas que nenhuma cruz \u00e9 mais absoluta. O Cristo ressuscitado carrega em si a mem\u00f3ria da Sexta-feira e o sil\u00eancio do S\u00e1bado, mas tamb\u00e9m o brilho do Domingo. Por isso, a vida crist\u00e3 n\u00e3o foge da dor, ela a atravessa com os olhos fixos na luz que vem do abismo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hans Urs von Balthasar nos lembra que o tempo n\u00e3o \u00e9 um ciclo repetitivo, mas uma hist\u00f3ria com sentido, marcada por um acontecimento \u00fanico: o abaixamento de Deus at\u00e9 o mais profundo da condi\u00e7\u00e3o humana (Fl 2,6-11). Esse esvaziamento (<strong>kenosis)<\/strong>, faz ver que o centro da realidade n\u00e3o \u00e9 o poder, mas a doa\u00e7\u00e3o. Isso muda quase tudo para n\u00f3s, disc\u00edpulos de hoje em dia. Muda nossa maneira de olhar o sofrimento, a justi\u00e7a, a hist\u00f3ria e at\u00e9 a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>No tempo atual, t\u00e3o atravessado por desesperan\u00e7a, polariza\u00e7\u00f5es e crises existenciais, a Semana Santa \u00e9 uma chave para compreender o que significa viver com profundidade. Somos convidados a n\u00e3o nos contentar com respostas superficiais, mas a habitar o mist\u00e9rio. A Sexta-feira nos ensina a olhar de frente para a dor; o S\u00e1bado nos convida a permanecer fi\u00e9is mesmo sem respostas; e o Domingo nos abre ao inesperado da gra\u00e7a e da eternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O cat\u00f3lico \u00e9, por voca\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m que vive entre dois tempos! Vive no mundo olhando para a eternidade. Por isso, a alegria da P\u00e1scoa \u00e9 uma postura diante da vida. Uma alegria que conhece a tristeza, mas que a transforma. Uma esperan\u00e7a que j\u00e1 sabe do t\u00famulo, mas cr\u00ea no t\u00famulo vazio. Uma f\u00e9 que passou pelo sil\u00eancio, e, ainda assim canta.<\/p>\n\n\n\n<p>A Semana Santa \u00e9 mais do que uma mem\u00f3ria lit\u00fargica, \u00e9 um chamado existencial. Cada crist\u00e3o \u00e9 convidado a atravessar os tr\u00eas dias com o cora\u00e7\u00e3o aberto \u2014 a entregar-se na cruz, a silenciar-se no t\u00famulo e a renascer com Cristo, porque o tempo j\u00e1 foi tocado pela eternidade. A justi\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 condena\u00e7\u00e3o, mas comunh\u00e3o. A dor j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 fim, mas caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo nas noites mais escuras, sabemos: a aurora j\u00e1 come\u00e7ou e <strong>a vida j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 absurda!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Celebrar a Semana Santa \u00e9 atravessar o caminho passando pela dor, pelo sil\u00eancio, at\u00e9 chegar \u00e0 luz de um novo dia. \u00c9 lembrar que, no tempo presente, marcado por tanta viol\u00eancia e incerteza, a eternidade j\u00e1 tocou a hist\u00f3ria. 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