{"id":17629,"date":"2024-06-28T22:29:53","date_gmt":"2024-06-29T01:29:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=17629"},"modified":"2024-07-15T16:28:18","modified_gmt":"2024-07-15T19:28:18","slug":"deus-e-a-tempestade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2024\/06\/28\/deus-e-a-tempestade\/","title":{"rendered":"Deus e a tempestade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Dom Lindomar Rocha Mota<br><\/strong><em>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><br>Na barca da vida, que balan\u00e7a entre lutas e labutas, \u00e9 onde encontramos Deus. Numa passagem bastante conhecida e simb\u00f3lica dos Evangelhos, quase uma pintura sublime, faz ver os ap\u00f3stolos na parte dianteira de um barco, enfrentando uma tempestade violenta, enquanto Jesus dormia na parte<br>posterior.<br><br>Na \u00e1gua, como sabemos, a seguran\u00e7a torna-se inst\u00e1vel e a falta de firmeza se imp\u00f5e como perigo para \u00e0 vida. Desde sempre foi assim. A \u00e1gua \u00e9 o lugar que precisamos de algo mais para nos sustentar. Assim foi com Pedro quando ousou caminhar sobre ela. Assim foi com os eg\u00edpcios quando decidiram adentr\u00e1-la sem a permiss\u00e3o de Deus. A \u00e1gua \u00e9 figura de nossas instabilidades. A tempestade que se avolumava \u00e9 descrita como aterrorizante, mas o que estava para se revelar era ainda maior.<br><br>Voltemos um instante para o in\u00edcio da consola\u00e7\u00e3o de J\u00f3, quando o Senhor se digna a responder \u00e0s suas inquieta\u00e7\u00f5es.<br><br>\u00c9 do meio da tempestade que o Senhor responde a J\u00f3 (38,1). A sua voz se imp\u00f5e sobre os estrondos avolumados das intemp\u00e9ries, e Deus diz: \u201cQuem fechou o mar com portas, quando ele jorrou com \u00edmpeto do seio materno, quando eu lhe dava nuvens por vestes e n\u00e9voas espessas por faixas; quando marquei seus limites e coloquei portas e trancas\u201d? (38, 8-10).<br><br>\u00c9 Deus quem p\u00f5e fim a arrog\u00e2ncia do mar e da tempestade. Deus sozinho fica de p\u00e9 e de p\u00e9 d\u00e1 prosseguimento \u00e0 hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria humana, necessita que Deus fique de p\u00e9. Como nos dias antigos, cantados na harmonia dos Salmos, os humanos estavam desamparados, \u201cMas<br>gritaram ao Senhor na afli\u00e7\u00e3o, e ele os libertou daquela ang\u00fastia. Transformou<br>a tempestade em bonan\u00e7a, e as ondas do oceano se calaram (Sl.106).<br><br>A hist\u00f3ria se repete desde sempre. As tempestades nos rodeiam e buscam nos devorar. Naquele dia, ela tamb\u00e9m cercou o barco dos ap\u00f3stolos, que ainda n\u00e3o haviam compreendido bem quem caminhava com eles. Entretanto, ao acordarem Jesus e perguntarem se ele n\u00e3o se importava porque estavam para perecer ante a majestade do mar, os disc\u00edpulos pareciam esperar ver algo que olhos ainda n\u00e3o haviam visto.<br><br>Ficando de p\u00e9 no meio deles, Jesus \u201cordenou ao vento e ao mar: &#8220;Sil\u00eancio! Cala-te!&#8221; O ventou cessou e houve uma grande calmaria\u201d (Mc 4,39). Em seguida Jesus os repreendeu por tamanha falta de f\u00e9. Mas os disc\u00edpulos n\u00e3o se importaram. Eles sentiam um medo maior, pois como homens da Galileia conheciam a hist\u00f3ria de Deus, e sabiam tamb\u00e9m, ser Deus o \u00fanico que pode acalmar as tempestades.<br>Os ap\u00f3stolos que sentiram medo diante da tempestade, sentiram, em seguida, \u201cum grande medo\u201d, e se perguntavam: \u201cQuem e\u0301 este, a quem ate\u0301 o vento e o mar obedecem?\u201d (Mc. 4,41).<br><br>O medo que se multiplicou \u00e9 normal diante da majestade de Deus. N\u00f3s n\u00e3o temos uma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para entender tamanha proximidade. Muito menos a sua amizade e interesse por n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa lacuna na l\u00f3gica humana \u00e9 preenchida por um sentimento que n\u00e3o vem de n\u00f3s, mas em n\u00f3s encontra acolhimento, o amor. Ent\u00e3o os ap\u00f3stolos e a humanidade alegraram-se \u201cao ver o mar tranquilo\u201d, e ao porto desejado serem conduzidos. Agradecidos, agrade\u00e7amos ao Senhor por seu amor e suas maravilhas, por ter suplantado o nosso temor e o medo do mar (cf. Sl. 106).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Na barca da vida, que balan\u00e7a entre lutas e labutas, \u00e9 onde encontramos Deus. 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