{"id":15406,"date":"2022-11-18T09:16:26","date_gmt":"2022-11-18T12:16:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=15406"},"modified":"2022-12-06T08:06:21","modified_gmt":"2022-12-06T11:06:21","slug":"rei-pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2022\/11\/18\/rei-pobre\/","title":{"rendered":"Rei pobre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Dom Lindomar Rocha Mota<br>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/p>\n\n\n\n<p>Nas proximidades em que Cristo \u00e9 celebrado Rei do universo, o Papa Francisco avizinhou-lhe o dia do pobre. Parece contradit\u00f3rio, mas em Deus n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o. Como no infinito tudo se conecta, o in\u00edcio \u00e9 igual ao fim. A est\u00e9tica da realeza, que j\u00e1 vinha mudando desde o Antigo Testamento, assumiu forma definitiva em Jesus Cristo. Da beleza e esplendor dos pal\u00e1cios marf\u00edneos \u00e0 pr\u00f3pria beleza de Davi foi superada nos contornos descaracterizados do Servo que nos apresenta Isaias 53.<\/p>\n\n\n\n<p>Rei sem beleza, que muitos vieram ver, \u00e9 a novidade gritante da escatologia prof\u00e9tica. A condi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da antiga realeza n\u00e3o vale mais, pois como continua nos informando Isa\u00edas 53,2 \u201cEle n\u00e3o tinha apar\u00eancia (<em>e\u00eddos<\/em>) nem beleza (<em>k\u00e1llos<\/em>) para atrair o nosso olhar, nem simpatia (<em>d\u00f3xa) <\/em>para que pud\u00e9ssemos apreci\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>A entrada neste novo feitio produz viol\u00eancia ao conceito e ao sentido, mas n\u00e3o nega o desejo e a busca, pois, mesmo sem <em>e\u00eddos, d\u00f3xa e k\u00e1llos<\/em>, todos desejam alcan\u00e7ar sua incalcul\u00e1vel riqueza (Ef 3,8).<\/p>\n\n\n\n<p>A realeza de Jesus \u00e9 outro tipo de advento. \u00c9 outro modo pelo qual o belo contamina o mundo e ultrapassa o dom\u00ednio das formas e da atra\u00e7\u00e3o visual.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo do Novo Testamento \u00e9 totalmente desprovido do \u201c<em>belo<\/em>\u201d ostensivo<em>,<\/em> como ressalta Gehard Nebel, em seu <em>Das Ereignis des Sch\u00f6nen<\/em>: \u201cDavi e Salom\u00e3o eram grandes reis, mas a arte busca sempre sua identifica\u00e7\u00e3o com o poder da hist\u00f3ria terrena. Os galileus, entre os quais o Verbo de Deus se fez carne, s\u00e3o provincianos, sem grande cultura [&#8230;], onde \u00e9 imposs\u00edvel que o belo pudesse significar um grande advento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A compreens\u00e3o do belo sem o poder \u00e9 alargada e se encontra com o desejo iminente dos Gregos que pediram: \u00ab<em>Senhor, queremos ver Jesus<\/em>\u00bb. Assim, \u00e9 suprimida a contradi\u00e7\u00e3o entre o Antigo e o Novo Testamento. \u00c9 clara a express\u00e3o: \u00ab<em>queremos ver<\/em>!\u00bb. Ela \u00e9 um <em>imperativo<\/em> e serve para interpretar o que significaria beleza neste novo sentido. O <em>k\u00e1llon<\/em> em seu aut\u00f4nomo modo de existir funda um novo estilo na apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus, capaz de atrair os olhares humanos e dos anjos, pois, como continua S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios: \u201cos principados e autoridades no c\u00e9u doravante, conhecem, gra\u00e7as a Igreja, a multiforme sabedoria de Deus\u201d. O Rei pobre \u00e9 novidade extraordin\u00e1ria que a Igreja revela at\u00e9 mesmo aos anjos.<\/p>\n\n\n\n<p>A transcend\u00eancia do belo, produtor de interesse para os sentidos, evolui no pensamento crist\u00e3o at\u00e9 aos nossos dias. Essa transcend\u00eancia encontra uma ordem sim\u00e9trica na evolu\u00e7\u00e3o que vai das coisas belas \u00e0 alma bela e avan\u00e7a na tradi\u00e7\u00e3o latina, onde o belo \u00e9 o constitutivo do ser, e n\u00e3o a forma. A atra\u00e7\u00e3o \u00e9 pela exist\u00eancia \u2013 raz\u00e3o pela qual o <em>ser<\/em> perfeitamente humano de Jesus atrai todos os olhares.<\/p>\n\n\n\n<p>Se continuarmos, entretanto, a buscar na evolu\u00e7\u00e3o e o alargamento de <em>kall\u00f2n,<\/em> veremos o seu encostamento a<em> ayat\u00f3n<\/em>, isto \u00e9, o belo e o <em>bem<\/em>; refletindo sobre a imagem bela nos colocamos em rela\u00e7\u00e3o com a capacidade de fazer o bem, e deduzimos que o bem se torna vis\u00edvel, como beleza, naquele que est\u00e1 disposto ao amor. Em circunst\u00e2ncias precisas, de fato, o <em>belo<\/em> \u00e9 o <em>bem<\/em>, e sendo assim a procura por Jesus evoca uma realeza para al\u00e9m da disposi\u00e7\u00e3o formal de uma pessoa. \u00c9 a procura d&#8217;Aquele que \u00e9 coligado com a pr\u00e1tica do bem e o pr\u00f3prio Bem. Portanto, a identifica\u00e7\u00e3o da Realeza de Jesus sobre todo o universo, com o pobre que se encontra entre os \u00faltimos de seus semelhantes, \u00e9 ador\u00e1vel e real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Nas proximidades em que Cristo \u00e9 celebrado Rei do universo, o Papa Francisco avizinhou-lhe o dia do pobre. Parece contradit\u00f3rio, mas em Deus n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o. Como no infinito tudo se conecta, o in\u00edcio \u00e9 igual ao fim. 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