{"id":14389,"date":"2022-04-11T10:19:22","date_gmt":"2022-04-11T13:19:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/?p=14389"},"modified":"2022-04-28T23:18:22","modified_gmt":"2022-04-29T02:18:22","slug":"o-silencio-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diocesesaoluis.org.br\/home\/2022\/04\/11\/o-silencio-de-deus\/","title":{"rendered":"O sil\u00eancio de Deus"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Dom Lindomar Rocha Mota<br>Bispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO)<\/p>\n\n\n\n<p>Na Sexta-feira da Paix\u00e3o acompanharemos com apreens\u00e3o e tristeza o julgamento de Jesus perante o Sin\u00e9drio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com idas e vindas e trocas de gentilezas entre Caif\u00e1s e Pilatos, o julgamento se desenrola, e \u00e9 profundo e ensurdecedor o sil\u00eancio de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fala de Jesus n\u00e3o tem defesa. Ela se resume a breves esclarecimentos sem\u00e2nticos. Mas, logo Jesus, que com grande facilidade, sempre rebateu a todas as investidas dos poderosos, \u00e0 hipocrisia dos fariseus e, at\u00e9 mesmo, leis antigas e leis do imperador. Jesus, que nunca se furtava ao debate, saindo vencedor em todos eles, agora, na hora de sua Paix\u00e3o se cala e n\u00e3o se justifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos a nossa aten\u00e7\u00e3o para aquilo que est\u00e1 acontecendo: um julgamento! Num julgamento existe acusador e acusado, imputantes e imputados, cuja conclus\u00e3o se dar\u00e1 pela absolvi\u00e7\u00e3o e ou pela pena de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tem um agravante em todo julgamento, o caso das falsas imputa\u00e7\u00f5es e os falsos testemunhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecemos outro julgamento com essas caracter\u00edsticas. O julgamento de Susana em Dn 13. L\u00e1, nos conta a hist\u00f3ria de uma falsa acusa\u00e7\u00e3o que levou a um julgamento. Naquele julgamento o que estava em jogo n\u00e3o era o crime duvidoso, mas sim a acusa\u00e7\u00e3o. \u00c9 contra ela que o profeta Daniel se levanta. Ele se concentra em desmascarar os acusadores, o que consegue com maestria e inspira\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n\n\n\n<p>A reviravolta no caso demonstra como os antigos tratavam esse tipo de julgamento. No caso de uma falsa acusa\u00e7\u00e3o os acusadores tomavam o lugar do inocentado. A pena lhe era imputada em medida semelhante, como bem nos relata no v 62 de Daniel: \u201cDe acordo com a Lei de Mois\u00e9s, aplicaram o tratamento que tinham querido infligir ao seu pr\u00f3ximo: foram mortos. Assim, naquele dia foi poupado uma vida inocente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro julgamento \u00e9 narrado nos Evangelhos. Em Lucas 23, ele come\u00e7a assim: <em>toda a multid\u00e3o levou Jesus a Pilatos e come\u00e7aram a acusa-lo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>As trapa\u00e7as acusat\u00f3rias j\u00e1 as conhecemos bem. Entretanto, o que nos causa estupor \u00e9 o fato de Jesus n\u00e3o se defender. N\u00e3o retrucar naquilo que era a mais f\u00e1cil de todas as suas contendas. At\u00e9 os seus ju\u00edzes estavam inclinados \u00e0 sua inoc\u00eancia, pois l\u00e1 pelas tantas, o pr\u00f3prio Pilatos branda: <em>Eu n\u00e3o encontro nenhuma culpa nele<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Jesus n\u00e3o se defende. Ouve e aceita o ju\u00edzo injusto, culminando com a sua condena\u00e7\u00e3o e crucifix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Concentrando-me apenas na parte do julgamento, intuo que Jesus, de fato, n\u00e3o podia falar. O seu sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 prova de sua culpa, mas da nossa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Jesus tivesse falado a sua inoc\u00eancia teria sido facilmente demonstrada, e, em seu lugar, os seus acusadores, isto \u00e9, todos n\u00f3s, tomar\u00edamos o seu lugar, porque essa \u00e9 a regra como j\u00e1 vimos em Dn 13,62.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus n\u00e3o fala! Essa descoberta justifica-se no infind\u00e1vel amor de Deus por sua criatura. Aceitar sobre si mesmo o pecado de muitos, sendo julgado por aqueles que defende e aceitar a pena em seu lugar \u00e9 a profecia de Isa\u00edas atualizada, acontecendo na frente de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A multid\u00e3o somos todos n\u00f3s! Justificados na condena\u00e7\u00e3o do Justo ainda podemos ouvir o barulho do \u00faltimo grito daquele que n\u00e3o se defendeu, um grito ensurdecedor que clama aos c\u00e9us, n\u00e3o por vingan\u00e7a, mas por perd\u00e3o; um perd\u00e3o que nunca ter\u00edamos alcan\u00e7ado com nossas pr\u00f3prias for\u00e7as, pois s\u00f3 Ele \u00e9 capaz de bradar: <em>Pai perdoa-lhes! Eles n\u00e3o sabem o que fazem<\/em>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Lindomar Rocha MotaBispo de S\u00e3o Lu\u00eds de Montes Belos (GO) Na Sexta-feira da Paix\u00e3o acompanharemos com apreens\u00e3o e tristeza o julgamento de Jesus perante o Sin\u00e9drio. 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